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sábado, 6 de maio de 2017

A CRIANÇA E O REINO “EM VERDADE VOS DIGO QUE QUALQUER QUE NÃO RECEBER O REINO DE DEUS COMO CRIANÇA, DE MANEIRA NENHUMA ENTRARÁ NELE.” (MARCOS 10.15) POR MAYCSON RODRIGUES 30 ANOS, É CASADO COM ANA TALITA, ESTUDANTE DE TEOLOGIA REFORMADA E ESTUDA FILOSOFIA NA UFRJ. É COMPOSITOR, ESCRITOR E MÚSICO E TRABALHA NO MINISTÉRIO PARAECLESIÁSTICO E MISSIONÁRIO CHAMADO ENTRE JOVENS. RECENTEMENTE PUBLICOU UM LIVRO INTITULADO “AOS MARIDOS: PRINCÍPIOS DO CASAMENTO PARA QUEM DESEJA OUVIR”.

A gente pertence a uma sociedade completamente vazia de afetos, de generosidade e de compaixão. Vivemos num meio corrompido pelo mal e habitamos, muitas vezes, na nossa solitude, em densas trevas. E tudo isso nos é exibido no telão chamado consciência. A consciência provoca os nossos anseios mais angustiantes e a gente não sabe como sair deste calabouço emocional. Um olhar para a Escritura nos leva ao ensino de Jesus, quando ele chama uma criança, a coloca diante de todos os seus discípulos e lhes diz que “quem quiser receber o reino de Deus, precisa ser como ela”. E foi esta reflexão do Mestre que apertou a minha alma nesta manhã, onde pude refletir e pensar sobre o ser criança. E reflito mesmo. Até porque, eu já fui uma criança.Existem alguns resquícios na memória sobre o que eu vivi na infância que me remetem a muita pureza (não perfeita), inocência, ausência de necessidades e dependência de alguém maior. Também percebo que muitas vezes, coisas que me ocupam tanto a vida hoje, quando criança, não faziam o menor sentido para mim. E imaginar que já vivi uma vida que não tinha a menor necessidade de se ter um Smartphone, nem mesmo uma conta no Facebook ou no Instagram. Nesta época eu não tinha inimigos, porque quando a gente é criança, não tem muito tempo para ficar ocupando a mente com inimizades. Era necessário um tempo de qualidade para se dedicar às brincadeiras! A gente não carecia de tanto. O dinheiro não tinha tanto valor pessoal para nós. Você podia me dar uma nota de cem reais que eu rasgaria aos risos. E é isso o que faz com que a gente reconheça o que Jesus está querendo dizer neste momento da sua narrativa histórica. Precisamos buscar a cura para o nosso coração não em sessões de psicoterapia nem passando por uma sessão do descarrego da Igreja Universal, e sim com o Evangelho que nos pede para simplesmente retornarmos para a motivação de uma criança, que simplifica mais as coisas e as relações, que não se inflama por ter aquilo que não é necessário, não quer se importar com coisas pequenas e vive na segurança de quem não sabe de tudo, não quer ter resposta para tudo e nem quer fazer a própria opinião sempre prevalecer. Ser criança é deitar no colo do Pai e encontrar alívio, mesmo quando leva-se um tombo. É depender do leite materno, e buscar este alimento todo dia – até mesmo gritar por este alimento. Ser criança é não esperar tanto dos outros, mas confiar no amor do Pai. É simplesmente ver as coisas como elas são, e não projetar nada mais nada menos. Ser criança também é não criar falsas expectativas sobre o outro. Convido você a também refletir sobre o reino de Deus e a necessidade espiritual de sermos crianças aos olhos do Pai e diante das pessoas; porque, no reino de Deus, menos é mais, o menor é o maior e quem se faz como criança caminha em paz e, no final de tudo, recebe um grande abraço celestial e ouve as palavras da eterna consolação: “(…) deixai vir a mim as crianças, e não as impeçais, porque de tais é o reino de Deus.” (Marcos 10.14)