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terça-feira, 30 de maio de 2017

MILHARES DE CRISTÃOS EGÍPCIOS MANDAM RECADO AO EI: “NÃO VAMOS NEGAR NOSSA FÉ” CRIANÇAS QUE MORRERAM EM ATAQUE JIHADISTA A ÔNIBUS ESCOLAR RECUSARAM-SE A NEGAR JESUS. POR JARBAS ARAGÃO

Como era esperado, o Estado Islâmico reivindicou neste sábado (27) a autoria do ataque contra dois ônibus e uma caminhonete que transportavam cristãos coptas na região de Minya, no Egito. Na sexta-feira (26), os veículos transportavam adultos e crianças coptas que iam até um mosteiro ao sul da capital para fazer suas orações. Oficialmente são 28 mortos e 24 feridos. Os cristãos coptas foram interceptados por homens fortemente armados, que abriram fogo contra os veículos.  Alguns sobreviventes do ataque relataram que jihadistas estavam mascarados. Eles forçaram os ônibus a pararem e ordenaram que os cristãos descessem do veículo e negassem a Jesus. “Eles mandaram que renunciassem a sua fé cristã, um por um, mas todos se negaram”, relatou o líder copta Rashed. A maioria das vítimas foram executadas a sangue frio, com tiros na cabeça. Esse é o mesmo modus operandis de execuções do Estado Islâmico nas regiões dominadas pelo grupo extremista. Além de matarem as pessoas, roubaram dinheiro bem como alianças e anéis, relata Maher Tawfik, cujo marido e sua filha de um ano e meio morreram no ataque. O ataque em Mynia é o novo capítulo na ofensiva iniciada final do ano passado pelo braço egípcio do Estado Islâmico (EI) contra a minoria cristã no Egito. A organização extremista anunciou que deseja exterminar os cristãos do país, que são 10% da população, na maioria coptas. Funeral festivo: Durante o funeral das vítimas do ataque em Minya, o clima era festivo. Ainda que pareça estranho aos cristãos ocidentais, a prática dos coptas egípcios é o de celebrar a morte de alguém que dá sua vida pela fé. Acostumados a conviver com a ameaça islâmica desde o século VIII, os cristãos naquela região acreditam que é uma honra morrer sem negar a Jesus. Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra que, embora haja lágrimas e lamentos  pelas vidas perdidas, em especial das muitas crianças que tiveram seu sangue derramado no deserto, também há celebração pela convicção que eles estarão todos juntos no céu. Do lado de fora, relata o site Shoebat, milhares de cristãos estavam reunidos e declararam que nunca seriam “conquistados” pelo islamismo nem iriam negar a sua fé. O papa Francisco reconheceu em seu discurso neste domingo, no Vaticano, que todos os mortos no ataque em Minya eram mártires cristãos. Também afirmou acreditar que há mais fieis sendo martirizados hoje em dia que no primeiro século.