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sábado, 3 de junho de 2017

ENTREGA TOTAL: CONDIÇÃO PARA O BATISMO - A HISTÓRIA DO AVIVAMENTO AZUSA SEGUNDO FRANK BARTLEMAN

Nunca procurei falar em línguas. Minha mente natural fazia resistência a tal idéia. Este fenômeno necessariamente viola a razão humana. Significa abandono desta faculdade por algum tempo. Isto é "loucura" e uma pedra de tropeço para a razão humana. É sobrenatural. Não precisamos esperar que alguém que chegou que não chegou a esta profundidade do abandono no seu espírito humano, e a esta morte a sua própria razão, aceite-o ou compreenda-o. A razão carnal tem que ceder nesta questão. Há um abismo para ser atravessado entre a razão e a revelação. Mas a experiência deste princípio é exatamente que leva ao batismo "Pentecostal", como em Atos 2:4. É o princípio mais fundamental do batismo. E é por isto que as pessoas simples entram primeiro, embora não sejam sempre bem equilibradas ou capazes em outros sentidos. São como meninos que vão nadar, para usar uma ilustração simples. Entram antes porque têm pouca roupa para tirar. Todos precisam "despir-se" espiritualmente para Ter esta experiência. O egoísmo tem de morrer. Esta era a atmosfera normal na igreja primitiva. Eis a razão de sua submissão à operação do Espírito, seus dons sobrenaturais, seu poder. Nossos intelectuais de hoje não podem alcançar isto. Oh, que nos tornássemos tolos que nãos soubéssemos nada de nós mesmos a fim de recebermos em plenitude a mente de cristo, e que só o Espírito Santo nos ensinasse e nos guiasse a todo o momento. Não estou dizendo que devemos falar em línguas continuamente. O batismo não é só falar em línguas. Pode-se viver neste lugar de submissão e iluminação e só falar a nossa própria língua. A Bíblia não foi escrita em línguas. Podemos certamente viver no Espírito em todo o tempo, mas poucos o conseguem. Oh, que profundidade há numa entrega total, quando todo o egoísmo se foi! Ter consciência de não saber nada, de não ter nada, a não ser o que o Espírito nos ensina e inspira. Este é o verdadeiro centro do poder, do poder de Deus, no ministério de um homem. É quando não sobra nada além da vida pura do Espírito. Toda esperança ou sensação de capacidade natural desapareceu. Vivemos pelo Seu sopro apenas. O "som como de um vento impetuoso" do dia de "Pentecostes" era como o sopro de Deus (Atos 2:2). Que mais poderemos dizer? É preciso ser vivido para ser compreendido. Não pode ser explicado. Já tínhamos certamente uma porção do Espírito antes desta experiência. A história testifica este fato. A igreja tem vivido em estado anormal desde sua queda. Mas não podemos ter o batismo "Pentecostal" sem a experiência que a igreja primitiva possuía. Os apóstolos a receberam de repente e em plenitude. Só a fé simples e a entrega total podem recebê-la. A razão humana encontra todo tipo de defeitos e tolices aparentes como desculpa para rejeitá-la. Falei em línguas possivelmente por quinze minutos na primeira ocasião. Depois a inspiração imediata passou e desapareceu por algum tempo. Já falei outras vezes desde então. Mas nunca tentei reproduzi-las. Esse ato deve estar sob a soberania de Deus. Seria tolice e sacrilégio tentar imitá- las. A experiência deixou em mim a consciência de um estado de total entrega ao Senhor, uma sensação de descanso perfeito dos meus trabalhos e atividade mental. Deixou-me uma consciência do controle total de Deus sobre mim e da Sua presença em mim numa medida equivalente. Foi uma experiência muito profunda e temerosa. Algumas pessoas têm menosprezado totalmente esse princípio e essa possessão do Espírito. Recusaram-se a permanecer no Espírito, e levaram muitos a tropeçarem. Isto tem trazido grande mal. Mas a experiência persiste como fato tanto na história como na realidade atual. Desde que a igreja primitiva perdeu o Espírito, grande parte do conhecimento dos cristãos a respeito de Deus tem sido um conhecimento intelectual. Seu conhecimento da palavra de Deus e dos Seus princípios, é intelectual, na maior parte, fruto da razão e da compreensão humana. Há pouca revelação, iluminação ou inspiração vindas diretamente do Espírito Santo de Deus. Citarei trechos de autores bastante conhecidos sobre o falar em línguas. O Dr. Philip Schaff, no seu livro "História da Igreja Cristã", volume 1, página 116, diz: "Falar em línguas é um salmo involuntário, como uma oração ou um canto, dito em estado de elevação espiritual, num língua peculiar inspirada pelo Espírito Santo. A alma fica quase passiva, como instrumento no qual o Espírito Santo toca suas melodias celestiais." Os comentaristas Conybeare e Howson escrevem: "Este Dom (falar em línguas) é o resultado de repentino influxo do sobrenatural nos crentes. Sob sua influência o exercício da razão é suspenso, enquanto o Espírito é envolvido num estado de êxtase pela comunicação direta do Espírito de Deus. Neste estado de união com Deus o crente é impelido por uma força irresistível a dar vazão a seus sentimentos de louvor em palavras que lhe não são próprias. Geralmente ele nem sabe qual o significado destas palavras." Stalker, no seu livro "A Vida de Paulo", página 102, diz o seguinte: "(O falar em língua) parece ter sido uma espécie de seqüência de sons em que a pessoa dá vazão a uma rapsódia apaixonada, através da qual expressa e exalta a sua fé. Alguns não são capazes de dizer aos outros o significado do que dizem, enquanto outros recebem este poder adicional; e há outros ainda que não falam em línguas mas são capazes de interpretar os que os locutores inspirados estão dizendo. Em todos os casos parece haver uma espécie de inspiração imediata, de forma que não fazem nada premeditado ou preparado, mas tudo é resultado de forte impulso do momento. Estes fenômenos são tão incríveis, que se fossem narrados na história, desafiariam fortemente a nossa capacidade de acreditar. Mostram com que grande poder o cristianismo que primeiro surgiu no mundo tomava conta dos espíritos que tocava. Porém, os próprios dons do Espírito foram transformados em instrumentos de pecado, pois aqueles que possuíam os dons mais visíveis (como o de milagres ou de línguas) gostavam de exibi-los, e os transformavam em motivos de envaidecimento." Há sempre perigos, grandes ou pequenos, ligados aos privilégios. Crianças frequentemente se cortam com as facas afiadas. Mas sem dúvida é mais perigoso ficar estagnado, onde estamos, do que se prosseguirmos confiando em Deus. Descrevi da seguinte forma algumas das minhas experiências anteriores ao batismo no "Christian Harvester" . "Meu próprio coração foi tocado por Deus até ao ponto em que chorei, devido à luz adicional: "Deus, tira a minha preocupação religiosa comigo mesmo". Dificilmente sofri tanta humilhação, vergonha e culpa, como agora quando vi o meu melhor do ponto de vista de Deus. Minha formosura religiosa se transformou em corrupção. Senti que não suportaria ouvir falar, nem mesmo pensar nisso de novo. Ficaria feliz em esquecer até o meu próprio nome e identidade. Destruí com grande satisfação os registros do que eu realizara antes para Deus, cuja leitura antes me proporcionava muito prazer. Eu agora os odiava como tentação do diabo para exaltar meu "eu". As cartas de apreciação sobre serviços religiosos realizados, trabalhos literários que me pareciam de valor, e sermões que me pareciam maravilhosos por sua profundidade e apresentação, agora me davam enjôo por detectar neles sinais de vaidade. Senti que confiava neles para receber preferência e recompensas divinas. "Só o sangue de Jesus" eu tinha, pelo menos em parte, deixado de lado. Dependia de outras coisas para recomendar-me a Deus. Isto é uma fonte de grande perigo. Destruí estes documentos muito estimados, estas falsas evidências, como destruiria um escorpião para que não tornassem a me tentar e a me afastar da eficácia exclusiva dos méritos do Senhor. Mas para isto foi preciso passar por grandes lutas em meu coração. "Trabalhos realizados no passado se apagaram da minha memória, com grande alívio de minha parte. Comecei nova vida para Deus como se nunca houvesse realizado nada. Senti que estava de mãos vazias diante dEle. A prova de fogo parecia Ter acabado com todas as minhas obras religiosas. Deus não queria que repousasse sobre isso. No futuro deveria esquecer tudo o que fizesse para Deus, assim que fosse realizado, para que não servisse de tropeço para mim, e continuar como se nunca houvesse feito nada para Deus. Seria esta a minha segurança." Sem dúvida até a menor satisfação que dermos ao nosso "eu" com relação a obra religiosa se constitui no maior impedimento às benção e ao favor de Deus. Isso deve ser evitado como se evita uma serpente.