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quinta-feira, 1 de junho de 2017

NOVA CRACOLÂNDIA AFASTA FIÉIS DA PRIMEIRA IGREJA BATISTA DE SÃO PAULO CONFORME INFORMAÇÕES DA IGREJA, AO MENOS 30% DOS FIÉIS FALTARAM AOS CULTOS NA SEMANA. POR CRISTIANO MEDEIROS

A Primeira Igreja Batista de São Paulo está perdendo fiéis com a instalação de uma nova Cracolândia, na Praça Princesa Isabel, próximo ao templo. Na semana passada uma operação da Prefeitura dispersou os usuários de droga do antigo local, o que resultou na mudança de endereço. José Carrasco (65) frequenta há 15 anos a igreja, e com a proximidade dos usuários decidiu se tornar um segurança voluntário. “Como eu faço parte, conheço bem quem frequenta. Então, a ideia é identificar quem é quem e fazer com que as pessoas se sintam acolhidas, se sintam seguras, ao me ver.” Conforme informações da igreja, ao menos 30% dos fiéis faltaram aos cultos na semana anterior. Por isso, Carrasco foi um dos membros que aceitou vestir um colete e ficar com os olhos atentos na movimentação da praça.José já trabalhou como vigilante. Ele comentou que não enfrenta problemas com a nova função. “É sossegado. Se a gente não mexe com eles (usuários), eles não mexem com a gente”. “Os membros fazem trabalho voluntário, com reforço principalmente em horários de culto”, admitiu o pastor Reinaldo Junior (35), segundo quem, também foi pedido reforço de policiamento ao 13.º Batalhão da Polícia Militar, responsável pela área. A Igreja também pôs à disposição dos frequentadores, no domingo, uma van para levá-los ao Metrô Santa Cecília e ao Terminal Princesa Isabel. “No domingo da operação ficou bem vazio”, relatou o pastor. Igreja desenvolve trabalho com dependentes químicos A Primeira Igreja Batista é conhecida pelo trabalho social realizado com usuários de drogas da Cristolândia. O projeto oferece café da manhã, banho e almoço aos usuários. “Depois da operação, o fluxo na Cristolândia cresceu de 300 para 450 pessoas por dia”, diz Junior. O projeto faz, ainda, internação voluntária em quatro comunidades terapêuticas. As cerca de 120 vagas, no entanto, já estão preenchidas. “Não é só a gente: todos os lugares estão cheios”, afirma. “Por isso que, antes de se falar em internação compulsória, como está sendo discutido, tem de saber se há vagas disponíveis. Não há.” Com informações do Estado de São Paulo.