GÊNESIS - CAPÍTULO 6 - ESTUDANDO A BÍBLIA DE FORMA EFICIENTE - REALIZAÇÃO: CANAL DA BÍBLIA - MINISTÉRIO EM DEFESA DA FÉ APOSTÓLICA E CENTRO DE FORMAÇÃO APOSTÓLICA
As genealogias de Caim e de Sete são coroadas por uma história, que é
veemente em sua acusação. Extensa controvérsia ainda gira em torno desta
passagem. Um aspecto do problema centraliza-se no significado da frase os
filhos de Deus (2). Pela razão de esta frase aparecer em Jó 1.6; 2.1; 38.7 e
Daniel 3.25 como designação a seres divinos ou anjos, argumenta-se que os anjos
caídos vieram à terra e se casaram com mulheres (cf. Sl 29.1; 89.6, onde
“poderosos” e “filhos dos poderosos” aludem a Deus).' Contudo, em nenhuma parte
das Escrituras há a descrição de seres divinos corrompendo o gênero humano.
Eles sempre são benéficos em suas relações com o homem. Jesus foi claro em
declarar que os que serão ressuscitados “nem casam, nem são dados em casamento;
mas serão como os anjos no céu” (Mt 22.30). Por conseguinte, esta visão é
contrária ao teor geral da Bíblia. A presença muito difundida de histórias
mitológicas entre os antigos pagãos, remontando aos hurritas (1500-1400 a.C) e
descrevendo deuses e deusas da natureza engajados em relações ilícitas entre
si, levam alguns a advogar que esta passagem é um conto mitológico. Contudo,
admite-se prontamente que mitologia erótica não aparece em outros lugares na
Bíblia. Por isso, os estudiosos concluíram que o escritor de Gênesis alterou
um conto mitológico e, com um jeito envergonhado, o apresentou como
justificação para o julgamento de Deus que logo viria.” Outro ponto de vista
popular é que os filhos de Deus eram descendentes de Sete. De importância aqui
é a palavra Deus (ha'elohim), que em outros lugares no Antigo Testamento
significa “o único Deus verdadeiro” e, assim, o distingue das deidades pagãs.
Este ponto de vista parece tornar impossível a teoria mitológica. Na verdade,
não se pode discutir que o conceito de uma relação filial entre Deus e seus
adoradores seja estranho ao Antigo Testamento. Esta questão não se apóia em uma
frase precisa; apóia-se em um conceito.' Em referência ao verdadeiro Deus há
uma declaração em Deuteronômio 32.5, que diz: “Seus filhos eles não são, e a
sua mancha é deles” (hb., banaw, “filhos dele”). Também em referência a Deus, o
salmista (Sl 73.15) disse: “Também falarei assim; eis que ofenderia a geração
de teus filhos” (hb., banayka, “teus filhos”). É certo que nestes contextos
“seus filhos” e “teus filhos” são equivalentes a filhos de Deus. E de forma
mais clara, Oséias (Os 1.10) disse acerca de Israel: “Se lhes dirá: Vós sois
filhos do Deus ['el hay] vivo”. No pensamento do Antigo Testamento, he'elohim e
'el hay quase não poderiam ter sido dois deuses distintos. Repare também em
Oséias 11.1 a frase “meu filho”, que se remonta ao Senhor. No Novo Testamento,
a expressão “filhos de Deus” ocorre em referência a seres humanos em João
1.12; Romanos 8.14; Filipenses 2.15; 1 João 3.1 e Apocalipse 21.7. Estas
passagens do Novo Testamento não são extraídas do paganismo, mas estão
solidamente baseadas no conceito do Antigo Testamento mencionado acima. A
conclusão de que os adoradores do Senhor (4.26) da linhagem de Sete também eram
os filhos de Deus preenche de maneira natural a lacuna entre as genealogias e o
dilúvio. Estes homens não escolheram suas esposas com base na fé, mas por
impulso, sem consideração pela formação religiosa. Seguiu-se corrupção após
esta vida devassa e Deus reagiu com ira divina. A palavra hebraica traduzida
por contenderá (3, yadon) tem vários significados. A formação verbal pode
aludir a raízes que significam “permanecer, ser humilhado” ou, remetendo-se ao
acádio, “proteger, servir de proteção”. Contender, trabalhar, esforçar-se ou
proteger se ajustam bem ao contexto. O homem não devia sentir-se mimado, porque
ele também é carne. Ele foi posto em provação por cento e vinte anos. Em 6.3,
há o pensamento interessante “Não para Sempre”. 1) O Espírito de Deus contende
com o homem; 2) O Espírito nem sempre contenderá; 3) O homem pode achar graça
aos olhos do Senhor, 8 (G. B. Williamson). A tradução gigantes (4, nefilim)
remonta à Septuaginta. O contexto do outro exemplo onde a palavra aparece (Nm
13.33) sugere estatura incomum, mas na verdade o tamanho físico não tem nada a
ver com o significado da palavra. Literalmente, o termo nefilim significa “os
caídos ou aqueles que caem sobre [atacam] os outros”. Em todo caso, eram
indivíduos malévolos. Eles precederam e coexistiram com o ajuntamento dos
filhos de Deus e das filhas dos homens. Nada no texto apóia a idéia de que eles
eram descendentes deste ajuntamento que os rivalizavam como varões de fama, ou
seja, homens de notoriedade e renome. A reação de Deus aos assuntos da
sociedade humana aumentava de intensidade à medida que a corrupção pecaminosa
se tornava dominante em escala universal. A degradação do homem estava
interiormente completa, era só má continuamente (5). A frase arrependeu-se o
SENHOR (6), e outras semelhantes (ver Êx 32.14; 1 Sm 15.11; Jr 18.7,8;
26.3,13,19; Jn 3.10), incomoda muitos estudiosos da Bíblia. O conceito comum de
arrependimento está relacionado com afastar-se de atos imorais. Assim, uma
mudança de direção, de caráter e de propósito é inerente no ato.' Duas
passagens no Antigo Testamento asseveram definitivamente que Deus não mente e
se arrepende como o homem (Nm 23.19; 1 Sm 15.29). Um estudo das passagens
relacionadas acima mostra que o arrependimento divino não brota da tristeza por
más ações feitas. As mudanças na relação do homem com Deus resultam em
mudanças nos procedimentos de Deus com o homem. Quando o homem se afasta de
Deus para o pecado, Deus muda a relação de comunhão para uma relação de
repreensão julgadora. Quando o homem se afasta do pecado para Deus, este
estabelece uma nova relação de comunhão. Este é o arrependimento divino. Em
nosso texto (6), Deus muda de comunhão para julgamento. As mudanças de
relacionamento que Deus executa nunca são descritas no Antigo Testamento como
algo impessoal ou passivo. Deus sempre está profundamente envolvido. Visto que
a mudança de relação é pessoal, que melhores termos humanos se usariam do que
expressões profundamente emocionais? Assim, pesou a Deus em seu coração. Quando
o homem peca, Deus julga; mas Ele também sofre intensamente. Deus não se
gloriou no ato de julgamento implementado a seguir. Toda palavra do
pronunciamento está imbuída de agonia. Que criei (7) sugere “Todos os produtos
da minha criatividade amorosa devem ser destruídos, exceto um”. Só um homem era
adorador de Deus: Noé, porém, achou graça aos olhos do SENHOR (8). De 6.5-8, G.
B. Williamson analisa “O Dilúvio”. 1) O julgamento pelo pecado é inevitável,
5-7; 2) A justiça é indestrutível, 8; 3) A fidelidade de Deus aos homens que
confiam e obedecem é inalterável, 8. A CORRUPÇÃO UNIVERSAL E SEU RESULTADO
(6.9-11.26) Um indivíduo se destaca novamente como objeto principal da
preocupação de Deus. Depois de livrar Noé e sua família do “dia da
destruição”, Deus estabeleceu uma relação de concerto com eles. Mas as
promessas de guardar o concerto ainda estavam soando quando entrou a profanação
para turvar o relacionamento, e as coisas não melhoraram com o aumento e difusão
da posteridade por toda a terra. Parece ser triste repetição de uma velha
história. As Façanhas do Justo Noé (6.9-9.17) Embora esta história seja
popularmente conhecida como “A História do Dilúvio”, há poucos detalhes sobre
o dilúvio em si. O foco principal está nas relações de Deus com o gênero
humano, sobretudo com aqueles com quem Ele escolhe tratar diretamente, e nas
respostas que dão às afirmações que Ele faz acerca deles. Noé é o personagem
proeminente da história e sua obediência é de importância para o ato de
salvação de Deus e não apenas para julgamento. A seqüência da história é
composta de cenário (6.9-12), uma série de ordens (6.137.5), a execução do
julgamento (7.6-24), a dilatação da misericórdia (8.1-22) e um concerto
(9.1-17). a) Um Justo em um Mundo Corrupto (6.9-12). Imediatamente, Noé (9) é
definido como indivíduo incomum, embora as características associadas a ele não
sejam incomuns entre os homens de Deus no Antigo e Novo Testamento. Ele era
justo (tsadik), ou seja, vivia de acordo com um padrão, marcando a vida com
obediência a Deus e interesse pelo gênero humano. Ele era reto (tamim), isto é,
era indiviso em sua lealdade, orientada em direção a uma meta definida e
motivado por paixão controladora.' Como Enoque (5.24), Noé andava com Deus, ou
seja, desfrutava de comunhão ininterrupta e íntima com Deus. Este andar
infundia as características anteriormente mencionadas com uma ternura e
profundidade de relação interpessoal com Deus que transcende a religião formal.
A condição moral da geração de Noé não só se contrasta com a vida de Noé, mas
elucida os termos que a descrevem. A corrupção do povo se destacava como o
oposto da justiça de Noé. Noé exibia fidelidade e conformidade à vontade de
Deus; o povo não. A autenticidade de Noé, sua qualidade de vida sadia (tamim)
era radicalmente diferente da violência (11, chamas) que permeava a sociedade
dos seus dias. Uma comparação dos versículos 11 e 12 com o versículo 5 indica
que esta violência era interior, severamente contaminada com imaginações
imorais e tendências corruptas. A declaração viu Deus (12), não significa que
Ele precisou de informação, mas que a situação na terra era de sua grande
preocupação e exigia sério exame. Note significados semelhantes desta frase em
30.1,9 e 50.15. Em cada caso, uma avaliação da situação resultou em decisão e,
depois, em ação. b) O Julgamento de Deus sobre a Raça Humana (6.13-7.5). A
palavra divina: O fim de toda carne é vindo perante a minha face (13), ressoou
como toque de morte pela consciência de Noé. O fato de a terra estar cheia de
violência não podia continuar sem controle. Deus tomou a decisão e estava
pronto para passar à ação. A falta de lei do povo estava desenfreada, assim a
punição tinha de ser drástica. O gênero humano e sua casa, a terra, seriam
destruídos. A terra foi destruída no sentido de deixar de sustentar vida no
decorrer da duração do dilúvio. O julgamento não devia ser privado da
oportunidade de salvação. Noé recebeu orientações específicas. Ele tinha de
tomar madeira de gofer (14) e construir uma estrutura grande e semelhante a
uma caixa. Não se sabe como era realmente a madeira de gofer, mas o betume era
material asfáltico razoavelmente comum no vale mesopotâmico. Aceitando-se o
côvado de aproximadamente 45 centímetros de comprimento, a arca teria cerca de
137 metros de comprimento, 22 metros de largura e 13 metros de altura. A
ventilação era fornecida por uma janela (16) ou abertura de luz, que pode ter
sido espaçada ao redor da extremidade do topo. Quanto à questão dos detalhes
construtivos, o texto diz pouco. Uma porta estava do lado da arca, mas não há
indicação de qual era a relação da porta com os três níveis da arca. Um dilúvio
de águas (17) foi o expediente do julgamento, mas um pacto (18) seria
estabelecido com Noé (ver 9.9-17). Esta é a primeira vez que a palavra pacto
(ou concerto) aparece no Antigo Testamento. Em passagens posteriores é o modo
preferido de descrever a relação pessoal entre Deus e as pessoas com quem Ele
escolheu ter uma relação especial. Neste caso, Noé e sua família imediata,
inclusive noras, foram os poucos escolhidos. Neste ponto, a relação de
concerto era apenas uma promessa. Em seguida, o Senhor informou a Noé que ele
tinha de colocar casais de pássaros e animais na arca. A frase conforme a sua
espécie (20), também encontrada em 1.21,24,25 em referência aos animais, é vaga
no que tange às pretensas classificações de animais. Só os grupos gerais são
especificamente mencionados: aves (20, of), animais (behemah) e réptil (remes).
Atualmente, as “espécies” de animais são de aproximadamente um milhão. Seria
erro presumir que o povo de antigamente pensasse em espécies de animais no
mesmo sentido. O conceito pode estar mais próximo aos termos “classes, ordens,
famílias ou gêneros”, mas hoje não há meio de determinar a questão. A arca
também foi abastecida com comida (21). Ainda que a palavra de Deus fosse
incomum, Noé seguiu obedientemente as instruções. Em Hebreus 11.7, há a
observação de que Noé “temeu” quando obedeceu a Deus. Pedro o chamou “pregoeiro
da justiça” (2 Pe 2.5). De 6.9-22, Alexander Maclaren pregou sobre “O Santo
entre Pecadores”. 1) O santo solitário, 9-11; 2) A apostasia universal, 11,12;
3) A dura sentença, 13; 4) A obediência exata de Noé, 22; 5) A defesa da fé,
7.21-23.
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