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sexta-feira, 12 de maio de 2017

O QUE SÃO EMOÇÕES? - JONATHAN EDWARDS (1703-1758), O MAIOR TEÓLOGO DA AMÉRICA, ESCREVEU SEU TRATADO SOBRE AFEIÇÕES RELIGIOSAS TENDO COMO PANO DE FUNDO O GRANDE DESPERTAMENTO, O EQUIVALENTE AMERICANO DO QUE OS BRITÂNICOS CHAMAM DE O AVIVAMENTO EVANGÉLICO

Nesse ponto pode-se perguntar: "O que exatamente quer dizer quando fala sobre emoções?" Respondo da seguinte forma: "Emoções são as ações mais vivas e intensas da inclinação da alma e da vontade." Deus deu às almas humanas dois poderes principais: o primeiro é a compreensão, pela qual examinamos e julgamos as coisas; o segundo poder nos permite ver as coisas, não como espectadores indiferentes, mas gostando ou não delas, agradando-nos ou não nelas, aprovando-as ou rejeitando-as. Às vezes chamamos a esse segundo poder, nossa inclinação. Relacionando-as com nossas decisões, normalmente damos-lhes o nome de vontade. Quando a mente exercita sua inclinação ou vontade, então muitas vezes chamamos à mente "o coração ". Seres humanos agem por suas vontades de duas formas, (i) Podemos nos dirigir para as coisas que vemos, apreciando-as e aprovando-as. (ii) Podemos nos distanciar das coisas que vemos, e rejeitá-las. Esses atos da vontade, é claro, diferem muito em grau. Algumas inclinações de gosto ou desgosto movem-nos somente um pouco além da apatia total. Existem outros graus, nos quais o gosto ou desgosto é mais forte, até o ponto em que a força seja tal que agimos de modo enérgico e determinado. São esses atos mais enérgicos e intensos da vontade que chamamos de "emoções". Nossa vontade e emoções não são coisas diferentes. Nossas emoções diferem dos atos casuais da escolha somente em sua energia e vivacidade. Admito, entretanto, que a linguagem pode expressar so¬mente um sentido imperfeito dessa diferença. De certo modo, as emo¬ções da alma são a mesma coisa que sua vontade, e a vontade nunca sai de um estado de apatia, exceto pelo sentimento. Todavia, há mui¬tos atos da vontade que não chamamos de "emoções"; a diferença não está na natureza, e sim na força da atividade e na forma de agir da vontade. Em todo ato da vontade, gostamos ou não daquilo que vemos. Nosso gosto por algo, se for suficientemente vigoroso e vivo, é exatamente a mesma coisa que a emoção do amor; e um desgosto igualmente forte é o mesmo que ódio. Era cada ato da vontade para ou em direção a algo, estamos em alguma medida inclinados àquela coi¬sa; e se essa inclinação for forte, nós o chamamos de desejo. Em cada ato da vontade em que aprovamos algo, há um grau de prazer; e se o prazer for grande, nós o chamamos de alegria ou delícia. E se nossa vontade não aprova algo, ficamos desagradados em alguma medida; se o desagrado for grande, nós o chamamos de pesar ou tristeza. Todo ato da vontade é relacionado com aprovação e preferência ou então com desaprovação e rejeição. Nossas emoções são, portanto, de dois tipos. Existem emoções que nos levam para o que vemos, unindo-nos ao que vemos ou apegando-nos a ele. Essas emoções incluem amor, desejo, esperança, alegria, gratidão e prazer. Existem por outro lado, emoções que nos afastam do que vemos, opondo-nos ao que vemos, incluem ódio, medo, raiva ou pesar.