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quinta-feira, 1 de junho de 2017

AINDA MAIS PROFUNDO O INÍCIO DA OBRA NA RUA EIGHTH COM A MAPLE - A HISTÓRIA DO AVIVAMENTO AZUSA SEGUNDO FRANK BARTLEMAN

Oito de agosto de 1906, aluguei o auditório de uma igreja na esquina das Ruas Eighth e Maple para instalar uma Missão Pentecostal. Fui guiado por Deus a esta igreja em fevereiro. Era então ocupada pelo povo do "Pilar de Fogo" liderado pela Sra. Alma White, de Denver. Senti que devia orar por um local para nos reunirmos depois que verifiquei que a Igreja do Novo Testamento não estava indo bem. Eu, no entanto, nem sabia da existência daquele prédio até que, sem eu esperar, o Senhor um dia o mostrou. Estava passando por lá e o vi pela primeira vez. Verifiquei que não estava sendo usado regularmente. Fora uma igreja alemã. Por curiosidade abri a porta, que não estava trancada, e entrei. Verifiquei que pertencia ao grupo "Pilar de Fogo". Ajoelhei-me em frente ao altar para orar um pouco: o Senhor falou comigo, e senti então a presença do Espírito. No mesmo instante eu estava andando entre os bancos, tomando posse de tudo para o "Pentecostes". Em cima da porta estava escrito "Gott ist die Liebe" (Deus é Amor). dois meses antes de começar o trabalho na Rua Azusa. Não procurei mais por nenhum prédio, sabendo que Deus já falara, e aguardei com paciência Sua hora. Uma noite, seis meses depois, quando passava por ali ao voltar para casa de uma reunião, vi no edifício uma tabuleta anunciando: "Aluga-se". O prédio estava vazio, e o Senhor me falou: "Esta é a sua igreja". O "Pilar de Fogo" havia virado fumaça, incapaz de pagar o aluguel. Seus membros haviam sido os opositores mais ferrenhos do trabalho na Rua Azusa. O Senhor esvaziara o local para nós. No dia seguinte, fui levado a falar com nosso senhorio, irmão Fred Shepard, a respeito do que acontecera. Não pedi que me ajudasse, mas foi Deus que me enviara à ele. Perguntou- me quanto era o aluguel, foi à sala próxima e voltou rapidamente com um cheque de cinqüenta dólares para o primeiro aluguel. Aluguei imediatamente o local. A verdade deve ser dita; a Missão Azusa começou a falhar com relação ao Senhor desde o princípio de sua história. Deus me mostrou um dia que eles iam se organizar, apesar de não ter ouvido nenhuma palavra a este respeito. O Espírito revelou-me isto, e fez-me levantar e avisá-los contra o "espírito partidário" no trabalho Pentecostal. Os santos "batizados" deviam formar um único corpo, pois para isso foram chamados, e deviam ser livres como é livre o Espírito do Senhor para "não se submeterem de novo a jugo de escravidão (eclesiástico)". Os santos da Igreja do Novo Testamento já haviam tolhido seu progresso desta mesma forma. Deus queria um grupo renovado, um canal através do qual Ele pudesse evangelizar o mundo, abençoando a todos os povos e a todos os crentes. É óbvio que não podia alcançar isso através de um partido sectário. Essa atitude tem sido a praga que causou a morte de todos os grupos avivados, mais cedo ou mais tarde. A história se repete nesse aspecto. Logo no dia seguinte ao que dei este aviso na reunião, encontrei do lado de fora de "Azusa", um cartaz onde se lia "Missão Fé Apostólica". O Senhor me falou: "Isto foi o que Eu lhe disse". Haviam enveredado por esse caminho. É claro que uma atitude partidária não pode ser Pentecostal. Não pode haver divisões num verdadeiro Pentecostes. Formar um corpo separado é fazer publicidade de que falhamos como povo de Deus, provando ao mundo que somos incapazes de viver juntos, em vez de levar os povos a crer na salvação que anunciamos. "...a fim de que todos, sejam um, para que o mundo creia que tu me enviaste" (João 17:21). A partir daí começaram os problemas e as divisões. Não era mais um Espírito livre para todos, como fora antes. A obra se transformara em mais um partido e corpo rival, como as outras igrejas e seita da cidade. Não é de admirar que oposição feita pelas outras igrejas fosse crescendo. Havíamos sido chamados para abençoar todo o "corpo de Cristo", onde quer que se encontrasse. Cristo é um só, e Seu corpo só pode ser um. Dividi-lo é destruí-lo, como ocorre com um corpo natural. "Pois, em um só espírito, todos nós fomos batizados em um corpo" (I Coríntios 12:13). A igreja é um organismo, não uma organização humana. Domingo, dia 12 de agosto, começou o trabalho na Rua Eighth com a Maple. O Espírito se manifestou grandemente desde a primeira reunião, pois foi-lhe dado controle total. O ambiente era terrível para os pecadores e desviados. Uma pessoa tinha de acertar totalmente a sua vida para conseguir permanecer. O tremor realmente "se apoderou dos ímpios" (Isaías 33:14). Por alguns dias pouco fizemos além de nos prostrarmos em oração diante do Senhor. O ambiente era santo e sagrado demais para que alguém tentasse ministrar. Como os sacerdotes no antigo tabernáculo, a glória era tamanha que não se podia ministrar. Tivemos grandes batalhas com pretendentes carnais e com impostores. Mas Deus dava-nos a vitória. O Espírito ficava muito entristecido com os espíritos contestadores. Por algum tempo a atmosfera aqui era de maior espiritualidade do que em Azusa. Deus estava conosco de forma tão maravilhosa que a própria atmosfera do céu parecia nos envolver. O peso da glória era tal que só podíamos ficar prostrados com o rosto em terra. Por muito tempo nem podíamos ficar sentados. Todos ficavam com o rosto no chão, alguns durante o culto inteiro. Eu raramente conseguia sair desta posição, prostrado inteiramente com o rosto no chão. Havia no salão uma pequena plataforma de uns trinta centímetros de altura quando alugamos a igreja. Eu costumava ficar prostrado ali enquanto Deus comandava as reuniões. E as reuniões eram dEle. Todas as noites o poder de Deus se manifestava com força total. Era tão glorioso; o Senhor se tornava quase visível de tão real que era. Tínhamos muito trabalho com pregadores estranhos que queriam pregar. De todos, parecia que eram eles os que tinham menos juízo. Não sabiam o bastante para ficarem quietos na presença de Deus. Gostavam de ouvir a si mesmos. Mas muitos pregadores pareciam "morrer" nessas reuniões. A cidade estava cheia deles com é até hoje. Faziam um barulho vazio, como o pisar sobre vagens do ano passado. Ajuntamos um verdadeiro quintal de "ossos secos". Sempre reconhecemos Azusa como a matriz, e nunca houve atrito ou ciúme entre nós. Visitávamos uns aos outros. O irmão Seymour muitas vezes se reunia conosco. Escrevi no "Christian Harvester" naquela época o seguinte: "As reuniões estão maravilhosas. Ontem foi a melhor que eu já assisti. O poder de Deus dominou ambiente durante o dia inteiro. A igreja estava cheia. Total convicção tomou conta do povo. O Espírito dirigiu a reunião do princípio ao fim. Não havia programa, e quase não houve oportunidade para fazer os avisos necessários. Não houve nem sequer uma alternativa para pregar. Algumas mensagens foram dadas pelo Espírito. Todos estavam livres para obedecer a Deus. O altar estava cheio de almas sequiosas o dia inteiro. A esposa de um pastor Metodista Independente recebeu poderoso batismo e falou numa língua que parecia chinês. Todos os que eram batizados falavam em línguas. Havia pelo menos seis pastores "Holiness", alguns de cabelos brancos, que buscavam o batismo com intensidade. Eram homens respeitáveis que inspiravam confiança por causa dos seus muitos anos de serviços frutíferos. Simplesmente levantavam suas mãos diante dessa revelação do Senhor e buscavam seu Pentecostes. O presidente da igreja "Holiness" do sul da Califórnia foi um dos primeiros a chegar ao altar buscando com toda a sinceridade." De outra feita, escrevi n0 mesmo jornal: "O Espírito não permite interferência humana nas reuniões; às vezes passa por cima dos erros como se não os visse e outras vezes tira os erros, Ele mesmo, do caminho. Coisas que normalmente pensamos em corrigir são deixadas de lado, evitando assim calamidades maiores. Chamar a atenção sobre certos erros apavora os irmãos, que param de buscar o Senhor, e assim o Espírito fica impedido de operar. Por isso, Ele simplesmente tira os erros do caminho, pois há questões mais importantes para serem cuidadas no momento. Tentamos não valorizar o poder de Satanás. Estamos, em vez disto, pregando a respeito de um grande Cristo. Deus está usando os pequeninos. O inimigo está fazendo tudo para quebrar nossa união através de divergências doutrinárias; temos de preservar a união do Espírito de qualquer forma. Algumas coisas podem ser ajustadas depois. São menos importantes. Deus nunca colocará esta obra nas mãos de homens. Se um dia ficar sob o controle de homens, estará liquidado. Muitos se uniriam a nós se não tivessem de se humilhar, e abandonar a exaltação da mente natural."