A ESPIRITUALIDADE DO VALE DISCUSSÃO SEM PODER - AS FACES DA ESPIRITUALIDADE - HERNANDES DIAS LOPES
Os nove discípulos de Jesus
estavam no vale, mas viviam o drama de um grande fracasso. Estavam cara a cara
com o diabo, mas não tinham poder para confrontá-lo e vencê-lo. Cercados por
uma multidão aflita, estavam desprovidos de recursos para atender às suas
urgentes necessidades. 1. No vale há
gente sofrendo o cativeiro do diabo sem encontrar na igreja solução para o seu
drama Aqui está um pai desesperado (Lucas 9.37-40: Mateus 17.15, 16). O diabo
invadiu a sua casa e está arrebentando com a sua família. Está destruindo o seu
único filho. Aquele jovem estava possuído por uma casta de demônios. Um
terrível poder maligno assumira o controle da sua personalidade. Aquele moço
era um capacho nas mãos do diabo. Naquela casa não havia mais paz. O inferno
estava lá, com sua horda de demônios provocando grandes estragos. Onde os
demônios entram, impera a destruição. Onde eles dominam, reina a escravidão.
Todos os recursos que aquele pai buscou para a libertação do seu filho
fracassaram. Em todas as portas que ele bateu, não encontrou solução para o seu
grave problema. A situação se agravara. A morte rondava a sua casa. Seu filho
estava sendo castigado pelos demônios com rigor excessivo. No auge da sua angústia, aquele pai,
desesperado, correu para os discípulos de Jesus em busca de ajuda e socorro,
mas eles não tinham poder. Já haviam conquistado grandes vitórias sobre os
demônios, mas agora estavam fracos e impotentes. O coração deles estava vazio e
seco. As vitórias de ontem não servem para hoje. Precisamos encher-nos do
Espírito a cada dia. Precisamos revestir-nos com poder diariamente. Assim como
o maná que caía do céu precisava ser recolhido a cada manhã e não servia para o
outro dia, da mesma forma a unção de ontem não serve para hoje. Em 1991 visitei a Missão Kwa Sizabantu, na
Africa do Sul. O rev. Erlo Estevem estava trabalhando com os zulus, uma tribo
fortemente comprometida com a feitiçaria. Certo dia, ao proferir sua mensagem,
ele proclamou que Jesus Cristo é o Deus Todo-poderoso, para quem não há
impossíveis, pois ele perdoa, liberta, cura e salva. Nesse momento,
aproximou-se dele uma mulher com o rosto sulcado de dor e os olhos marejados de
lágrimas. De pronto ela o interrogou: "O senhor está dizendo que o seu
Deus pode todas as coisas?". O pastor respondeu: "Sim, é isto mesmo o
que estou afirmando". Diante da resposta convicta, ela completou:
"Então, eu preciso do seu Deus. Eu tenho uma filha possessa, amarrada como
bicho no tronco de minha casa. Nenhum dos deuses que conheço pôde libertá-la.
Se o seu Deus tem todo o poder, vamos comigo à minha casa e peça ao seu Deus
para libertá-la". Nesse momento, o pastor Erlo sentiu um calafrio na
espinha e pensou: "E se eu fracassar? Como vai ficar a minha reputação?
Com que autoridade continuarei pregando para esse povo?". Ele se dirigiu à
casa da mulher e deparou com um quadro assustador: A jovem estava sangrando,
amarrada com arame no tronco, como uma fera ferida, um bicho enfurecido. Os
olhos afogueados pareciam saltar de seu rosto desfigurado. O pastor em vão
tentou expulsar da jovem aquelas terríveis entidades malignas. Levaram-na,
então, amarrada, a uma fazenda, e um grupo de pastores e missionários orou por
ela e tentou libertá-la dos demônios opressores, mas a moça, indomável,
destruiu a casa da fazenda e voltou em estado ainda mais deplorável. O pastor
Erlo ficou arrasado, envergonhado. Pensou até mesmo em abandonar a missão e
parar de pregar. Sentia-se sem autoridade para falar da onipotência de Jesus
Cristo. Mas, antes de desistir, compreendeu que o problema não era o Evangelho,
mas a sua vida sem unção. Não era a Palavra de Deus, mas a sua falta de poder.
Começou, então, a orar por avivamento. Iniciou na igreja o estudo ao livro de
Atos dos Apóstolos. Os corações foram sendo quebrantados. Três vezes por dia,
eles oravam e choravam copiosamente diante de Deus, buscando uma vida de
santidade e poder. Não tardou para vir sobre eles um profuso derramamento do
Espírito. Os feiticeiros mais endurecidos, tomados de profunda convicção de
pecado, corriam para a Missão, clamando pela misericórdia de Deus,
arrependendo-se de seus pecados. Aos borbotões, pessoas chegavam de toda a
parte, entregando-se ao Senhor Jesus. A primeira coisa que o pastor Erlo fez a
seguir foi visitar a casa daquela jovem possessa. Agora, no poder do Espírito,
na autoridade do nome de Jesus, ele ordenou que os demônios saíssem da jovem, e
ela foi imediatamente libertada. Todos, então, compreenderam que não basta
falar no nome de Jesus, é preciso ser revestido com o poder do Espírito. Hoje, quando as multidões aflitas procuram a
igreja, encontram nela um lugar de salvação, de cura e libertação? Há poder em
nossa vida? Possuímos autoridade sobre as hostes do inferno? Temos confrontado
o poder do mal? Conhecimento apenas não basta, é preciso revestimento de poder.
O Reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder. O Espírito que habita
em nós é Espírito de poder. Há muitas pessoas que são doutas no manuseio das
Escrituras. Conhecem com profundidade as verdades exaradas na Bíblia, têm um
acervo teológico colossal, mas estão áridas como um deserto. Conhecem a
Palavra, mas não o poder de Deus. Conhecem a respeito de Deus, mas não conhecem
a Deus. Têm a cabeça cheia de luz, mas o coração está vazio de fogo. Têm
conhecimento, mas lhes falta a unção.

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