A HISTÓRIA DOS HEBREUS – UMA LONGA SÉRIE DE DOMINAÇÕES - A HISTÓRIA DA IGREJA - DUNCAN REILY
A
Igreja Cristã surgiu num mundo politicamente dominado por Roma e culturalmente
pelo Helenismo. Neste capítulo, vamos tratar brevemente de dois momentos na
história: o primeiro dos judeus (o período dos Macabeus), e o segundo dos
cristãos (o Império Romano). Vamos tentar perceber um pouco o sentido de
dominação e como reage o povo frente a tal dominação. Mas, para uma melhor
perspectiva, vamos recordar o que foi a história dos Hebreus desde os
primórdios, a saber: uma longa sucessão de dominações e correspondentes
libertações. Aliás, um dos temas mais constantes da Bíblia é a libertação do
povo hebreu da sua quase escravidão no Egito, na qual Moisés serviu Deus como
agente desta libertação. Nenhuma compreensão do Antigo Testamento pode ser
considerada adequada sem que se perceba como pano de fundo o surgimento e a
queda dos impérios do chamado Crescente Fértil — a área dos rios Tigre e
Eufrates. Assim, sucessivamente se levantam Assíria (à qual Israel, o Reinado
do Norte, sucumbia em 722 a.C), a Babilônia (que, sob Nabucodonosor, destrói
Jerusalém e leva a nata do seu povo ao exílio 597-581), a Pérsia (a qual
permite a volta dos exilados e o restabelecimento de sua vida religiosa e
política). A Pérsia é então dominada por Alexandre Magno, que estabelece hegemonia
desde a Grécia até a índia, naturalmente incluindo a Palestina. Uma política de
Alexandre, aluno do filósofo Aristóteles, era a imposição da cultura grega
(helênica) nas vastas terras por ele conquistadas, uma prática seguida pelos
seus sucessores. Para simplificar, poucos anos depois da morte de Alexandre em
Babilônia (323 a.C), seus generais dividiram o império entre si, um deles
assumindo controle da Síria (o que incluía os judeus). Agora, para o
"primeiro momento" de nossas considerações para hoje, Antíoco IV, da
linha dos Selêucidos, passa a ser o Rei da Síria. Muito antes dele, pela lógica
da dominação cultural helênica*, a língua e o pensamento grego (especialmente a
filosofia) já se faziam sentir em muitos níveis. As Escrituras Sagradas do povo
hebraico, escritas em hebraico, já não eram mais inteligíveis aos judeus da
diáspora (espalhados pelos diversos cantos do mundo), tornando necessário
traduzirem-se para o Grego. Assim surgiu a LXX (a Septuaginta)* traduzida em
Alexandria, Egito. Muito mais tarde, na mesma cidade, Filon interpretaria estas
mesmas Escrituras à luz da filosofia grega (platônica). A cultura grega,
fortemente aprovada pela corte da Síria, ganhou muitos adeptos entre os judeus,
especialmente das classes altas, aos quais a cultura grega parecia muito mais
desenvolvida que a hebraica. Antíoco IV, chamado Epifânio, tentou em dezembro
de 168 a.C. extirpar a cultura judaica e destruir sua religião. Portanto, ele
tomou o templo de Jerusalém e ofereceu um porco sobre o altar-mor, ato
considerado abominável pelos judeus (cf. Daniel 11.31). No afã de acabar com a
religião dos judeus, o Rei Antíoco proibiu, sob pena de morte, a obediência à
lei de Moisés, como a guarda do sábado e a circuncisão. Confiscou e queimou as
Escrituras. Depois mandou erguer altares a deuses gregos por toda parte, e tornou
obrigatória a sua adoração. Havia três níveis de reação a estas novidades:
1)
Havia um grupo, principalmente das
classes altas, já helenizado*, que, basicamente, aceitou a nova situação e,
no processo, abandonou sua antiga fé.
2)
Um segundo grupo, os Hasidim ou Piedosos, ofereceram resistência passiva. O
melhor comentário sobre a situação deste grupo é o comportamento de Daniel e
seus companheiros frente às ordens de Nabucodonosor de adorar uma imagem de
ouro. Daniel sempre pratica quietamente sua fé e se arrisca à fornalha e à cova
de leões. Seria melhor do que contrariar suas convicções religiosas.
3)
Uma terceira alternativa se apresenta quando Matatias, o velho sacerdote (Modin),
recusou-se a oferecer o sacrifício exigido e matou um judeu apóstata que quis
oferecer sacrifício.

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