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MINISTÉRIO EM DEFESA DA FÉ APOSTÓLICA


PASTOR SERGIO LOURENÇO JUNIOR - REGISTRO CONSELHO DE PASTORES - CPESP - 2419

O IMPÉRIO ROMANO - A HISTÓRIA DA IGREJA - DUNCAN REILY

Que projeto tinha Jesus para libertar Israel do jugo romano? Não creio que seja fácil dizer isso com muita clareza. Nós podemos, talvez, responder a uma outra pergunta menor ou pelo menos a um outro nível. O que podemos afirmar com razoável certeza? Creio que podemos afirmar o seguinte: Jesus percebeu sua função como essencialmente profética. Ele iniciou seu ministério no espírito de João Batista, reconhecido por todos como profeta e tido como o precursor do próprio Jesus (Mt 3; Mc 1.1; Lc 3.1-22). Conforme Mateus, Jesus iniciou sua pregação com palavras idênticas às de João Batista (Mt 3.2, 4.17; Mc 1.4, 15). 7 "Arrependei-vos porque está próximo o reino dos Céus". Em Lucas, que diverge de Mateus e Marcos aqui, a nota profética não é menos presente. Não só Jesus se associa a João Batista na sua pregação de arrependimento (cf. 3.2), mas Jesus inaugura sua missão em Nazaré com a mensagem libertadora de Isaías 61.1, 2 (Lc 4.18-19). O povo que escutava a pregação e acompanhava o seu ministério era unânime em ver em Jesus o modelo do profeta João Batista, Elias, Jeremias (Mt 16.14; Mc 8.28; Lc 9.19), cf. o reconhecimento de Jesus como profeta quando da ressurreição do filho da viúva de Naim (Lc 7.16), o qual dificilmente poderia deixar de lembrar a ressurreição do filho de Sarepta (Zarefate) por Elias (I Rs. 17.17-24). Há muitas evidências que a Igreja apostólica via Jesus morto e ressurreto como essencialmente um profeta, não raro nos moldes do Servo Sofredor do projeta Isaías do Exílio. Lucas preservou a palavra de Jesus que "não se espera que um profeta morra fora de Jerusalém" (13.33-34). Assim, o Cristo ressurreto abre as Escrituras aos discípulos de Emaús (Lc 24.44-46; Is. 53.1-12 e Lc 24.19). Ou é Filipe que, começando com Is 53.7-8, anunciou Jesus ao Eunuco da Etiópia (At 8.32, 35). Assim, Estevão argumentou no Sinédrio que Jesus seria aquele profeta semelhante a Moisés (At 7.37), certamente não apenas um legislador, mas essencialmente um libertador! Nas passagens e nas afirmações acima, não apenas se tem a certeza de que Jesus aceitou o papel de profeta, mas percebe-se também o tipo de profeta que ele pretendia ser. Seus temas estavam relacionados com o Reino de Deus, de justiça e paz, de libertação e abundância. Jesus deixou claro sua divergência aos conceitos comuns dos seus dias. Seria um reino onde crianças, na sua simplicidade e fraqueza, forneciam o modelo. Onde mulheres tinham tanto lugar como homens. Onde o pobre tem o mesmo direito que o rico (Tg 2.1-9). Onde a riqueza de uns e a miséria de outros é impensável (Lc 16.19-31). Onde há lugar à mesa do banquete do Reino para os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos (Lc 1421). Qual é o preparo para este tipo de Reino que Jesus tinha em mira? A resposta está na mudança de mente e de coração que Jesus exigiu desde o início de seu ministério: "Arrependei-vos e crede no Evangelho" (Mc 1.15). Se Jesus tinha um projeto para derrubar o Império Romano, isto não é evidente. — Ele não organizou nenhum exército ou guerrilha. — Na noite da sua prisão, seu arsenal de guerra possuía 2 espadas, o que ele considerou adequado (Lc 22.38). — O povo comum, os pobres, o ouviam com prazer (Mc 12.37) e, pelo menos na ocasião da Entrada Triunfal, houve uma manifestação pública que poderia ter sido transformada em um exército popular para tentar assumir poder em Jerusalém (cf. Mc 11.10). Neste momento, tudo indica que Jesus poderia, se quisesse, iniciar uma revolta que, possivelmente, teria libertado Israel do jugo romano. O Evangelho de João diz que, por ocasião da multiplicação dos pães, a multidão quis "arrebatar para o proclamar rei", mas Jesus percebendo isto "retirou-se sozinho para o monte" (Jo 6.15). É o mesmo Evangelho que relata esta palavra de Jesus: "O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui" (Jo 18.36). 8 Porém, há evidência bastante clara que Jesus foi executado pelo poderio romano como revolucionário. Ele foi crucificado, punição comum para revolucionários, e a inscrição rezava "Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus". Antes ele fora atormentado pelos soldados, fazendo uma paródia dele como rei. Por que não tomou este caminho? A resposta não é fácil, mas parece que o projeto dele era outro. Ele traria a redenção para todos, mediante assunção pessoal do papel do servo sofredor. A libertação viria mediante a identificação com este projeto.

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