ATIVISTAS PEDEM FIM DA ISENÇÃO TRIBUTÁRIA PARA IGREJAS QUE NÃO REALIZAREM CASAMENTOS DE GAYS
Ativistas gays iniciaram um protesto pedindo
o fim da isenção tributária para igrejas que se recusam a celebrar casamentos
entre pessoas do mesmo sexo. Quem discorda da iniciativa argumenta que essa
sugestão vai no sentido contrário da separação entre Igreja e Estado. A decisão
da Suprema Corte dos Estados Unidos em legalizar o casamento gay em todo o país
motivou o editor da revista Fusion a pregar o fim da isenção tributária das
igrejas que se recusam a aceitar as uniões homossexuais. “Agora que o governo
dos EUA reconhece formalmente a igualdade no casamento como um direito
fundamental, ele realmente não deve distorcer o código fiscal de modo a dar
milhões de dólares em incentivos fiscais para os grupos que permanecem
firmemente intolerantes sobre o assunto”, escreveu Felix Salmon. “A sua igreja
ignora o casamento entre homossexuais? Em seguida, ela deve começar a pagar
impostos”, acrescentou. Como argumento, Salmon usou o exemplo da revogação da
isenção fiscal da Universidade Bob Jones por causa de sua postura a respeito de
casais inter-raciais. “O mesmo argumento pode e deve ser aplicada ao casamento
gay”, afirmou. “Se a sua organização não suportar o direito de homens e
mulheres para casar gays, então o governo deve ser muito claro ao dizer que
você está errado. E certamente não deve dar-lhe o privilégio de isenção
fiscal”, afirmou. Salmon acrescentou ainda que, apesar de entender o conceito
da liberdade religiosa, ele não acredita que as igrejas devem ser
“recompensadas” com isenção fiscal se suas crenças são contrárias às decisões
da Suprema Corte: “Quando essas opiniões são fanáticas e dolorosas, elas entram
em conflito com os pontos de vista de qualquer legislador honroso que acredita
na liberdade e igualdade. E nesse ponto, faz todo o sentido para os nossos
representantes eleitos registrar sua desaprovação ao abolir a isenção de
impostos para as organizações que se agarram a visões tacanhas e anacrônicas”,
opinou. Aaron Goldstein, um articulista da American Spectator, discorda dessa
visão e afirmou que, embora pessoalmente ele apoie a decisão favorável ao
casamento gay, ele não acredita que o governo tem o direito de se intrometer
nas crenças da Igreja e observou que a decisão de taxar a Universidade Bob
Jones foi aplicada apenas para as escolas. “Contrariamente às alegações de Salmon que o
governo deve ser muito claro em dizer igrejas que estão na erradas por não
apoiar o casamento do mesmo sexo, não há absolutamente nenhum interesse
governamental, onde se trata dos assuntos de igrejas ou instituições puramente
religiosas. Simplesmente, o governo não tem nenhum negócio dizendo a igrejas e
instituições puramente religiosas que elas estão erradas sobre a oposição ao
casamento gay ou qualquer outro assunto”, observou Goldstein. Ele foi além ao
dizer que a laicidade do Estado estaria em risco se essa ideia fosse levada
adiante, pois faria o governo interferir nas crenças e lucrar com as religiões:
“O governo federal deve deixar igrejas, sinagogas, mesquitas e outras
assembleias religiosas sozinhas neste assunto. Se eles não entenderem que devem
interferir, então o próprio conceito de separação entre Igreja e Estado terá
perdido todo o significado. Seria acabar com a separação entre Igreja e Estado
como nós a conhecemos”, concluiu.

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