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MINISTÉRIO EM DEFESA DA FÉ APOSTÓLICA


PASTOR SERGIO LOURENÇO JUNIOR - REGISTRO CONSELHO DE PASTORES - CPESP - 2419

A CRISTANDADE E O DECLÍNIO DA IGREJA: AS CRUZADAS - A HISTÓRIA DA IGREJA - DUNCAN REILY

Como Entender e Avaliar as Cruzadas* Uma das coisas curiosas da história da Igreja é a diferença entre a maneira em que determinado momento era encarado naquela época e a avaliação do mesmo momento em tempos modernos. O historiador Mosheim nos adverte contra a tendência do preconceito do tempo, exatamente esta tendência de julgar todos os acontecimentos pelos nossos tempos! Eu entendo que é o dever do historiador descobrir, por meio de pesquisa bem feita, o que realmente aconteceu no passado, até onde é possível e porquê aconteceu assim, e as conseqüências imediatas e também a médio e longo prazos. Já chamamos a atenção para o fato que os historiadores do tempo de Constantino, e logo depois, o viam como um salvador, e dificilmente encontra-se uma idéia em contrário na Igreja antiga. Mas neste sentido devemos mencionar uma série de eventos que são considerados verdadeiros marcos na história missionária da Igreja. Por exemplo: Nina, a apóstola à Geórgia (país que já foi da antiga União Soviética). Esta mulher cristã vai à Geórgia onde sua oração resulta na cura do príncipe real e em seguida na conversão da rainha e do rei; e, através desta conversão da casa real, o estabelecimento do cristianismo como a religião oficial do povo. Ou o caso de Clóvis, rei dos Francos Sálicos, levado a aceitar o cristianismo pela sua esposa Clotilde. Depois de uma grande vitória em 496 d.C, ele aceita o cristianismo e, junto com 3.000 dos seus soldados, aceita o batismo no Natal do mesmo ano, o começo da conversão dos Francos ao cristianismo católico. Um outro exemplo é a obra de Carlos Magno, o qual estendeu o Império Franco quase tanto quanto o velho Império Romano Ocidental. No processo, à força de armas, ele conquistou os Saxões, o que foi o primeiro passo em direção à conversão desse povo germânico ao cristianismo. Estes fatos — e são fatos incontestes — não combinam bem com a idéia geral que hoje em dia temos de missões e é bem possível que muitos cristãos, incluindo muitos missionários, possam questionar esses métodos missionários no passado, que eram aceitos sem questionamento. Isto nos traz à questão das Cruzadas. Para uma avaliação adequada, temos que entender o que aconteceu (o fato), por que aconteceu (a motivação), como os contemporâneos encararam o período e as conseqüências a curto e a médio prazo. Cabe-nos então, e só então, fazer o nosso questionamento. As Cruzadas As Cruzadas* podem ser vistas como a resposta da cristandade à ameaça muçulmana*. Durante toda a Idade Média e mesmo no período da Reforma, os muçulmanos* constituíam para a cristandade seu maior rival. No século VII, Maomé havia iniciado suas conquistas, e estas foram continuadas pelos seus sucessores. Jerusalém fora tomada em 638 e, após a conquista de todo o Norte da África, os seguidores do Profeta 54 Maomé invadiram a Península Ibérica (Espanha e Portugal) e até a França, onde Carlos Martelo parou seu avanço em 732. Contrário a uma idéia generalizada, os Muçulmanos não insistiam, geralmente, em conversão ou morte; em muitos casos houve coexistência entre muçulmanos e cristãos. A Terra Santa, ocupada pelos muçulmanos, não foi vedada a peregrinos cristãos. Deveras, no período em apreço, peregrinações a Roma, a São Tiago de Compostela (Espanha), e a Jerusalém eram muito comuns e constituíam uma das formas favoritas de piedade cristã. Mas os Turcos Selêucidas ganharam controle da Terra Santa, e eles, pela primeira vez, proibiram as peregrinações, frustrando as esperanças de muitos cristãos em visitar à Terra Santa. Ora, isto aconteceu numa época de tremenda instabilidade na Europa, produzida por anos de pouca produção agrícola e conseqüente fome e, portanto, insatisfação e o desejo de buscar vida nova em outro lugar. Aconteceu também num período de renovada vida religiosa, estimulada pelas reformas monásticas (conventos), também no tempo quando o Rei Fernando I, de Castela, estava efetivamente começando a reconquista da Espanha, expulsando dali os Muçulmanos*, o que criava a impressão que os muçulmanos não eram imbatíveis. Sem dúvida, em muitos, o simples desejo de aventura e lucro animou sua participação nas Cruzadas. Pois bem: a nova atitude dos Muçulmanos* no Oriente leva o imperador Aleixo I a pedir ajuda para o papa Urbano II, face esta ameaça. E Urbano, num Concílio em Clermont, no Leste da França, em novembro de 1095, deu a resposta na hora: “— Os reunidos em Clermont gritaram a uma voz: "Deus o quer!". O papa Urbano II pregou guerra santa contra os muçulmanos*, oferecendo indulgência plena a todos os participantes. Exércitos foram formados, especialmente na França e no Sul da Itália. Mas o fervor popular, estimulado pelas pregações de Pedro, o Eremita, resultou na formação de grupos populares liderados por Walter Sem Dinheiro, e pelo próprio Pedro. O que estes dois realmente fizeram foi desastroso. Na sua ida desordenada à Terra Santa, eles massacraram judeus no Reno e se sustentavam na viagem por roubo; razão pela qual foram atacados na Hungria e Alhures. Aqueles que chegaram à Constantinopla foram massacrados pelos turcos a caminho de Nicéia. Militarmente, esta cruzada popular nada significava, mas ela muito diz de um grande zelo religioso, embora sem ser canalizada para os devidos fins. E a primeira Cruzada em si? Militarmente, alcançou seu objetivo. Os exércitos cristãos retomaram Jerusalém a 15 de junho de 1099 e estabeleceram na Palestina o que se chamou de “Reino Latino” (cristão), que durou pelo menos em parte até 1291. Abriu-se caminho de novo para os peregrinos cristãos visitarem os lugares onde Jesus andara e onde ele sofreu e morreu. O fervor religioso que animava as Cruzadas, durou por quase dois séculos. Não será possível contar todas elas, a não ser no mais breve esforço, para tirar algumas conclusões no fim. Segunda Cruzada (1147-1148): tentativa de retomar Edessa. Resultado: fracasso total. Terceira Cruzada (1189-1192): Jerusalém caíra novamente nas mãos dos muçulmanos* — os reis da Inglaterra e França, e o Imperador Frederico Barbaroxa, não conseguiram retomar Jerusalém, mas firmaram tratado que permitia os peregrinos cristãosvisitarem a Cidade Santa (Jerusalém). Quarta Cruzada (1202-1204): os Cruzados nem chegaram à Terra Santa; saquearam Constantinopla, capital do Império Cristão do Oriente, gerando ódio entre os cristãos do Leste e Oeste. A Cruzada das Crianças (1212): uma tragédia, pois as milhares de crianças, animadas com o zelo cristão de retomar à Terra Santa, chegando à Itália foram vendidas como escravas. Foram levadas pro Egito. Quinta Cruzada (1217-1221): atacou os muçulmanos* no Egito. Resultado: fracasso total. Sexta Cruzada (1228-1229): liderada pelo Imperador Frederico II, ganhou por diplomacia (sem luta) os "Lugares Santos" novamente para os cristãos. As Sétima (1248-1254) e Oitava (1270) Cruzadas: foram ambas lideradas por Luís IX, da França (São Luiz). Nestas Cruzadas, também no Egito, Luís foi capturado na Sétima e morreu na Oitava. A Nona Cruzada (1291): liderada por Eduardo I, da Inglaterra, falhou, e aí o último reduto dos cristãos caiu definitivamente nas mãos dos muçulmanos*. Portanto, o “Reino Latino”, fundado na Primeira Cruzada e que durou, em parte, quase duzentos anos, acabou reabsorvido pelos muçulmanos*. Creio que as perguntas com que iniciamos a discussão, foram mais ou menos respondidas, mas vamos retomá-las para uma resposta sucinta: 1) O que aconteceu? - Só a Primeira Cruzada teve real êxito militar, a reconquista de Jerusalém e da Terra Santa. - A Terceira ganhou o privilégio dos peregrinos visitarem Jerusalém - e a Sexta, por diplomacia, obteve de novo, para os cristãos, acesso aos Lugares Santos. As outras fracassaram. O que aconteceu? Durante quase duzentos anos, cristãos, aos milhares, foram animados com um zelo religioso a libertar a Terra Santa dos seguidores de Maomé, e isto incluía até crianças (1212) e o povo comum (1096). Foi a maior mobilização de cristãos e pelo período mais longo em toda a história da Igreja! 2) Por que aconteceu? Qual a motivação? A mais forte motivação foi a religiosa. O desejo ardente de tirar os lugares sagrados à memória de Jesus, das mãos e domínios maometanos (mulçumanos, islâmicos). Em muitos casos, isto significava ódio religioso aos "inimigos de Jesus", como por exemplo, o massacre dos judeus no vale do Reno. Atrás desta motivação específica, havia um fervor religioso incomum, gerado pelas reformas monásticas. É inegável que a inquietação gerada pela fome facilitava a ida de muitos em busca de uma vida melhor. A busca de novos mercados pelos mercadores, o amor à aventura e a simples avareza animaram outros. Mas o que, além de fervor religioso, explica a resposta unânime no Concílio de Clermont*, a ida espontânea de Pedro, Walter e Gotescalco, e a trágica "Cruzada das Crianças"?3) Como é que os contemporâneos encararam o período? O movimento animou os mais importantes teólogos e os eclesiásticos: Urbano II, o papa, pregou a primeira cruzada. Bernardo de Claraval, o mais influente pensador e asceta do seu tempo, pregou a segunda cruzada. O poderoso Inocêncio, a quarta Cruzada, etc. E envolveu poderosos imperadores e reis (como vimos, o Rei da França, Luís IX, liderou duas Cruzadas), e captou a imaginação de populares e até de crianças. A primeira reação durante o Concílio de Clermont, "Deus Vult" (ou seja, “Deus o quer”), talvez seria o melhor resumo da reação das pessoas daquele tempo. 5) Quais foram os resultados imediatos e a médio prazo? Jerusalém foi tomada pelos cristãos em 1099, caiu novamente aos muçulmanos sob Saladin (ou Salazar), em 1187 (88 anos depois). A Terceira Cruzada e a Sexta, conse-guiram para os Cristãos o privilégio de visitar a Terra Santa. A Primeira Cruzada estabeleceu o Reinado Latino, parcialmente destruído por Saladin, mas em alguma medida mantido até 1291, ou seja, por quase 200 anos. Surgiram as ordens militares dos Templários e Hospitalares, para protegerem os peregrinos etc. A longo prazo, o esforço foi um fracasso porque nenhuma parte da Terra Santa ficou permanentemente com os Cristãos. Pior, a Quarta Cruzada aumentou ainda mais a divisão já formalizada em 1054 e a inimizade entre os dois grandes setores do cristianismo: a Igreja Católica Romana e a Igreja Ortodoxa. Há outras conseqüências, é claro, não tanto religiosas: - estimularam grandemente o comércio e o crescimento das cidades comerciais do norte da Itália; - estimularam o renascimento intelectual da Europa, o nascimento das universidades, nova atividade teológica; - estimulou a criação da arquitetura gótica etc; - assinalou a presença francesa na Igreja e prenuncia um período de dominação francesa até de papado.

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