ENTREGA TOTAL: CONDIÇÃO PARA O BATISMO - A HISTÓRIA DO AVIVAMENTO AZUZA - FRANK BARTLEMAN
Nunca procurei falar em línguas. Minha mente natural
fazia resistência a tal idéia. Este fenômeno necessariamente
viola a razão humana. Significa abandono desta
faculdade por algum tempo. Isto é "loucura" e uma pedra
de tropeço para a razão humana. É sobrenatural. Não
precisamos esperar que alguém que chegou que não chegou
a esta profundidade do abandono no seu espírito
humano, e a esta morte a sua própria razão, aceite-o ou
compreenda-o. A razão carnal tem que ceder nesta questão.
Há um abismo para ser atravessado entre a razão e a
revelação. Mas a experiência deste princípio é exatamente que
leva ao batismo "Pentecostal", como em Atos 2:4. É o
princípio mais fundamental do batismo. E é por isto que as
pessoas simples entram primeiro, embora não sejam sempre
bem equilibradas ou capazes em outros sentidos. São como
meninos que vão nadar, para usar uma ilustração simples.
Entram antes porque têm pouca roupa para tirar. Todos
precisam "despir-se" espiritualmente para Ter esta
experiência. O egoísmo tem de morrer.
Esta era a atmosfera normal na igreja primitiva. Eis a razão de sua submissão à operação do Espírito, seus dons sobrenaturais, seu poder. Nossos intelectuais de hoje não podem alcançar isto. Oh, que nos tornássemos tolos que nãos soubéssemos nada de nós mesmos a fim de recebermos em plenitude a mente de cristo, e que só o Espírito Santo nos ensinasse e nos guiasse a todo o momento. Não estou dizendo que devemos falar em línguas continuamente. O batismo não é só falar em línguas.
Pode-se viver neste lugar de submissão e iluminação e
só falar a nossa própria língua. A Bíblia não foi escrita em línguas. Podemos certamente viver no Espírito em todo o tempo, mas poucos o conseguem.
Oh, que profundidade há numa entrega total, quando
todo o egoísmo se foi! Ter consciência de não saber nada, de
não ter nada, a não ser o que o Espírito nos ensina e
inspira. Este é o verdadeiro centro do poder, do poder
de Deus, no ministério de um homem. É quando não
sobra nada além da vida pura do Espírito. Toda esperança
ou sensação de capacidade natural desapareceu.
Vivemos pelo Seu sopro apenas. O "som como de um
vento impetuoso" do dia de "Pentecostes" era como o sopro
de Deus (Atos 2:2). Que mais poderemos dizer? É preciso ser
vivido para ser compreendido. Não pode ser explicado. Já
tínhamos certamente uma porção do Espírito antes desta
experiência. A história testifica este fato. A igreja tem vivido
em estado anormal desde sua queda. Mas não podemos
ter o batismo "Pentecostal" sem a experiência que a igreja
primitiva possuía. Os apóstolos a receberam de repente e em
plenitude. Só a fé simples e a entrega total podem recebê-la.
A razão humana encontra todo tipo de defeitos e tolices
aparentes como desculpa para rejeitá-la.
Falei em línguas possivelmente por quinze minutos na
primeira ocasião. Depois a inspiração imediata passou e
desapareceu por algum tempo. Já falei outras vezes desde
então. Mas nunca tentei reproduzi-las. Esse ato deve estar
sob a soberania de Deus. Seria tolice e sacrilégio tentar imitá-
las. A experiência deixou em mim a consciência de um estado
de total entrega ao Senhor, uma sensação de descanso
perfeito dos meus trabalhos e atividade mental. Deixou-me
uma consciência do controle total de Deus sobre mim e
da Sua presença em mim numa medida equivalente. Foi
uma experiência muito profunda e temerosa. Algumas
pessoas têm menosprezado totalmente esse princípio e
essa possessão do Espírito.
Recusaram-se a permanecer no Espírito, e levaram
muitos a tropeçarem. Isto tem trazido grande mal. Mas a
experiência persiste como fato tanto na história como na
realidade atual. Desde que a igreja primitiva perdeu o
Espírito, grande parte do conhecimento dos cristãos a
respeito de Deus tem sido um conhecimento intelectual.
Seu conhecimento da palavra de Deus e dos Seus
princípios, é intelectual, na maior parte, fruto da razão e da
compreensão humana. Há pouca revelação, iluminação ou
inspiração vindas diretamente do Espírito Santo de Deus.
Citarei trechos de autores bastante conhecidos sobre o
falar em línguas. O Dr. Philip Schaff, no seu livro "História
da Igreja Cristã", volume 1, página 116, diz: "Falar em
línguas é um salmo involuntário, como uma oração ou um
canto, dito em estado de elevação espiritual, num língua
peculiar inspirada pelo Espírito Santo. A alma fica quase
passiva, como instrumento no qual o Espírito Santo toca
suas melodias celestiais."
Os comentaristas Conybeare e Howson escrevem: "Este
Dom (falar em línguas) é o resultado de repentino influxo do
sobrenatural nos crentes. Sob sua influência o exercício da
razão é suspenso, enquanto o Espírito é envolvido num
estado de êxtase pela comunicação direta do Espírito de
Deus. Neste estado de união com Deus o crente é impelido
por uma força irresistível a dar vazão a seus
sentimentos de louvor em palavras que lhe não são próprias.
Geralmente ele nem sabe qual o significado destas
palavras."
Stalker, no seu livro "A Vida de Paulo", página 102, diz
o seguinte: "(O falar em língua) parece ter sido uma espécie
de seqüência de sons em que a pessoa dá vazão a uma
rapsódia apaixonada, através da qual expressa e exalta a
sua fé. Alguns não são capazes de dizer aos outros o
significado do que dizem, enquanto outros recebem este
poder adicional; e há outros ainda que não falam em línguas
mas são capazes de interpretar os que os locutores
inspirados estão dizendo. Em todos os casos parece haver
uma espécie de inspiração imediata, de forma que não fazem
nada premeditado ou preparado, mas tudo é resultado de
forte impulso do momento. Estes fenômenos são tão
incríveis, que se fossem narrados na história, desafiariam
fortemente a nossa capacidade de acreditar.
Mostram com que grande poder o cristianismo que
primeiro surgiu no mundo tomava conta dos espíritos que
tocava. Porém, os próprios dons do Espírito foram
transformados em instrumentos de pecado, pois aqueles que
possuíam os dons mais visíveis (como o de milagres ou de
línguas) gostavam de exibi-los, e os transformavam em
motivos de envaidecimento." Há sempre perigos, grandes
ou pequenos, se ligados aos privilégios. Crianças
frequentemente cortam com as facas afiadas. Mas sem
dúvida é mais perigoso ficar estagnado, onde estamos, do
que se prosseguirmos confiando em Deus.
Descrevi da seguinte forma algumas das minhas
experiências anteriores ao batismo no "Christian Harvester"
. "Meu próprio coração foi tocado por Deus até ao ponto em
que chorei, devido à luz adicional: "Deus, tira a minha
preocupação religiosa comigo mesmo". Dificilmente sofri tanta
humilhação, vergonha e culpa, como agora quando vi o meu
melhor do ponto de vista de Deus. Minha formosura
religiosa se transformou em corrupção. Senti que não
suportaria ouvir falar, nem mesmo pensar nisso de novo.
Ficaria feliz em esquecer até o meu próprio nome e
identidade. Destruí com grande satisfação os registros do que
eu realizara antes para Deus, cuja leitura antes me
proporcionava muito prazer. Eu agora os odiava como
tentação do diabo para exaltar meu "eu". As cartas de
apreciação sobre serviços religiosos realizados, trabalhos
literários que me pareciam de valor, e sermões que me
pareciam maravilhosos por sua profundidade e apresentação,
agora me davam enjôo por detectar neles sinais de vaidade.
Senti que confiava neles para receber preferência e
recompensas divinas. "Só o sangue de Jesus" eu tinha, pelo
menos em parte, deixado de lado. Dependia de outras
coisas para recomendar-me a Deus. Isto é uma fonte de
grande perigo. Destruí estes documentos muito estimados,
estas falsas evidências, a como destruiria um escorpião
para que não tornassem me tentar e a me afastar da
eficácia exclusiva dos méritos do Senhor. Mas para isto foi
preciso passar por grandes lutas em meu coração.
"Trabalhos realizados no passado se apagaram da
minha memória, com grande alívio de minha parte.
Comecei nova vida para Deus como se nunca houvesse
realizado nada. Senti que estava de mãos vazias diante dEle.
A prova de fogo parecia Ter acabado com todas as minhas
obras religiosas. Deus não queria que repousasse sobre
isso. No futuro deveria esquecer tudo o que fizesse para
Deus, assim que fosse realizado, para que não servisse de
tropeço para mim, e continuar como se nunca houvesse
feito nada para Deus. Seria esta a minha segurança."
Sem dúvida até a menor satisfação que dermos ao nosso
"eu" com relação a obra religiosa se constitui no maior
impedimento às benção e ao favor de Deus. Isso deve ser
evitado como se evita uma serpente.

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