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MINISTÉRIO EM DEFESA DA FÉ APOSTÓLICA


PASTOR SERGIO LOURENÇO JUNIOR - REGISTRO CONSELHO DE PASTORES - CPESP - 2419

O GENERAL ROMANO PARTE III - OS MÁRTIRES DO COLISEU - A. J. O'REILLY

Deus prova aqueles a quem ama. Havendo escolhido a Plácido como um vaso para a sua glória, provou-o por uma série de aflições, que fizeram a paciência desse grande servo brilhar mais que qualquer outra virtude. Seus biógrafos têm-no comparado ao patriarca Jó. Mas aquela luz que lhe penetrou o coração, ensinou-lhe o valor secreto das provas e aflições. Aquele que agora era o seu Senhor e Modelo vivenciara muitas dores e angústias; e o discípulo não é maior que o Mestre. Uma vida de facilidades, um colchão de plumas, roupas de seda, e ornamentos de ouro e pedras preciosas não são a armadura que distingue os soldados do Cristo crucificado. Quando experimentamos os leves e passageiros sofrimentos da vida, devemos lembrar que eles são para a glória de Deus e aperfeiçoamento de nossa fé. Após ser batizado e recebido na Igreja, Plácido retornou ao monte Sabino. onde tivera seu encontro com Jesus. Fez questão de agradecer a Deus naquele local, para ele, memorável. O Altíssimo concedeu-lhe, então, outra visão que, ao mesmo tempo em que o consolava, mostrava-lhe as provações que o aguardavam. Plácido mal retornara ao lar depois disso, quando a tormenta abateu-se sobre ele, esmagando-o de todos os lados. A triste narrativa de suas provações despertará compaixão até nos corações mais endurecidos. Em poucos dias, Plácido perdeu todos os seus cavalos e gado; cada ser vivo de sua casa, até mesmo os empregados domésticos, foram varridos por uma peste virulenta. A temível melancolia que a morte espalhou à sua volta, o mau cheiro das carcaças insepultas, e a insalubridade da atmosfera pútrida obrigaram-no a deixar a casa por algum tempo; e isto foi a fonte de novas aflições. Durante sua ausência, ladrões entraram-lhe na casa e roubaram tudo o que possuía, reduzindo-o à absoluta pobreza. Por esse tempo, a cidade estava regozijando e celebrando o triunfo dos exércitos romanos sobre os persas. Plácido não pôde tomar parte nessas festividades, e vencido pela tristeza, o desapontamento e a vergonha, combinou com Teopista, sua esposa, irem viver num país desconhecido, onde ao menos pudessem carregar a sua dor e pobreza sem o insulto cruel dos amigos orgulhosos e insensíveis. Seguiram o caminho para Ostia, e lá encontraram uma embarcação prestes a partir para o Egito. Eles não possuíam dinheiro para a passagem, mas o capitão do navio, homem mau e cruel, vendo a juventude e beleza de Teopista, sentiu nascer no coração uma paixão impura: permitiu então que subissem a bordo, pensando num modo de satisfazer seus desejos pecaminosos homem nada sabia da bela e sublime virtude da castidade numa mulher cristã. E quando viu-se tratado com o desprezo da virtude indignada diante de uma sugestão cochicha¬da de infidelidade, retorceu-se em seu desapontamento, e pensou numa vingança. O Diabo sugeriu-lhe um plano. Chegando à costa da África, o capitão exigiu novamente o pagamento das passagens, e intimou Plácido: se ele não pagasse, ficaria com Teopista como refém. Ele foi enviado à terra com seus dois filhinhos desamparados, enquanto sua bela e fiel esposa ficou detida no navio, que logo zarpou para outro porto. Pobre Plácido, sentiu as lágrimas quentes deslizando-lhe pela face, enquanto via as velas da pequena embarcação enfunarem-se com um vento favorável, e levarem para longe o maior tesouro que ele possuía neste mundo. E viu a si mesmo numa terra estéril e inóspita, exilado, pobre e solitário. Se as suas fiéis legiões soubessem de sua triste sorte, como suas espadas confiáveis relampejariam em vindicação de seu general injuriado! Olhando para os filhos, gora sem mãe, ele puxou-os para junto de seu coração partido, e apontando com um dedo trêmulo o navio que agora era uma mancha branca no horizonte azul, afirmou: - Vossa mãe foi dada a um estranho.1 Apertando a testa com a mão, Plácido curvou-se e chorou amargamente. Não há pontada de sofrimento humano tão pungente como a afeição frustrada, e ela é mais agudamente sentida quando o objeto de nosso amor é entregue não à morte, à matança, ou à penúria, mas à infâmia e à desonra. Ate mesmo os pais pagãos de Virgínia preferiram cravar-lhe no coração um punhal a deixá-la viver em desonra. Contudo, "melhor é o homem paciente que o bravo". O homem capaz de suportar provações e infortúnios é maior que o herói do campo de batalha. Recordando suas promessas a Deus na ravina dos Apeninos, Plácido imediatamente reprimiu seu pesar; levantando-se com uma determinação como a de Jó, e tomando os dois filhos pela mão, adentrou aquela região com um coração valente e resignado. Deus, porém, tinha outras aflições para prová-lo ainda mais. Plácido não havia ido muito longe, quando topou com um rio bastante alargado por chuvas tardias. Era um rio vadeável, mas vendo que seria perigoso levar as duas crianças juntas ele decidiu levar uma de cada vez. Deixando na margem a mais velha, entrou na corrente com a mais jovem. Mal alcançara a margem oposta, quando o grito da que ficara atraiu-lhe a atenção. Olhando para trás, viu um leão pegando a criança com a boca e arrastando-a para devorá-la. O pai aflito depositou á margem o filho que levava nos braços, e sem temer o perigo, mergulhou uma vez mais na correnteza. A angústia deve ser tremenda, quando faz um homem desarmado acreditar que pode caçar e lutar com o rei da floresta. Mal ele saíra da água, quando a outra criança foi atacada por um lobo.2 Esta última visão paralisou-lhe a coragem; ele não pôde dar mais nem um passo. Caiu de joelhos, e apelou ao grande Deus que, sabia ele, dispusera todas as coisas. Com o fervor de sua fé iniciante, e a dor de um pai desolado, orou pedindo paciência, e que nenhuma blasfêmia lhe saísse dos lábios; que nenhum receio viesse minar-lhe a adoração. O general permaneceu algum tempo de joelhos, e sentiu o bálsamo da consolação celeste gotejar-lhe gradualmente sobre a alma angustiada. Somente a fé pode quebrar as barreiras do tempo, e levar a alma a antecipar a união que a imortalidade trará. Plácido confiara a família a Deus, e sabia que eles estavam felizes. Quanto a si, determinou suportar virilmente os poucos dias de sofrimento que a Providência lhe designara. Levantou-se uma vez mais da oração, fortalecido e consolado, mais separado de toda consolação humana, e mais unido a Deus. Logo deixou aquelas paragens tão dolorosas, e escapou para outra parte do país. A seguir, encontramos Plácido como um pobre trabalhador numa fazenda chamada Bardyssa. Mas esta é a última parte da escura noite de sua provação; o crepúsculo que precede o glorioso nascer do sol. O Deus Todo-poderoso havia provado o seu servo com a mais severa adversida¬de que pode sobrevir a um homem; no redemoinho da aflição, Ele fez voar todo o seu conforto temporal, a sua felicidade doméstica, e a sua afeição paternal. E o vaso escolhido, novo na fé, foi achado fiel, merecedor da coroa. Alguns anos haviam se passado desde que Plácido perdera a esposa e os filhos, e ele passara todo o tempo ignorado, em trabalho, oração, solidão, subindo cada vez mais alto na escada da perfeição, e em união com Deus. Chegara, porém, o tempo de sua recompensa pelo mover da mão de Deus, para quem não há acaso, foram-lhe restituídos o conforto t a honra que antes possuía. Foi novamente posto à frente do exército romano, e devolvido aos braços de sua esposa e filhos, para nunca mais ser separado, nem mesmo pela morte, pois todos reunidos na alegria infindável do céu, pela morte gloriosa do martírio. Sigamos o dos eventos que conduziram a este resultado grandioso c consolador.

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