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MINISTÉRIO EM DEFESA DA FÉ APOSTÓLICA


PASTOR SERGIO LOURENÇO JUNIOR - REGISTRO CONSELHO DE PASTORES - CPESP - 2419

O GENERAL ROMANO – PARTE V - OS MÁRTIRES DO COLISEU - A. J. O'REILLY

Enquanto tinham lugar os eventos que relatamos, uma visível comoção envolvia o acampamen¬to. Um mensageiro chegara em grande pressa. Trazia a notícia da morte de Trajano, em Selinonte (uma cidade da Cilícia), e da eleição de Adriano pelo exército. A eleição fora confirmada pelo senado, o exército de Plácido recebera ordens de retomar imediatamente para reunir-se em triunfo nas celebrações fúnebres do imperador falecido. Os soldados sob o comando de Plácido haviam estado ausentes por quase dois anos, e achavam-se esgotados pelas privações da guerra. Saudaram com deleite a notícia de seu retomo. Os gritos ensurdecedores, anunciando a boa nova, alcançaram a tenda de Plácido antes que o correio chegasse até ele. O mensageiro, com os pés feridos e cobertos de pó, entregou ao general um rolo de pergaminho, onde estava escrito: "Aprouve aos deuses elevar-nos ao trono do Império Decretamos uma marcha triunfal pelo exercito de Plácido, e ordenamos ao bravo general retomar imediatamente a capital" — Adriano O general segurou por um momento o pergaminho, completamente distraído. Erguendo lentamente os olhos ao céu, proferiu: — Tu estabeleces, brilhante Sol de minha esperança. Aqueles destinos prefigurados em cochichos proféticos são rapidamente feitos realidade. Eia! Para Roma! Ao triunfo! Ao martírio! Ordenou então que desarmassem as tendas e se preparassem para a marcha geral no dia seguinte. Dispensando a todos de sua tenda, permaneceu sozinho, em comunhão com Deu agradecendo-o pela felicidade daquele dia. Percorria rapidamente a tenda; a visão do martírio futuro passando diante dele. Podemos ouvir, na imaginação, o tom majestoso de seu ardente solilóquio; "Eia! Ao triunfo! Da carruagem de ouro ao túmulo — subir ao cume brilhante do monte Capitólio, em meio aos gritos de blasfêmias contra Deus, que laceram os céus — acender os fogos do sacrifício impuro aos demônios da idolatria!? É preferível que Plácido seja lançado à pira ardente, e seja ele mesmo a vítima. "Nos sonhos da ambição jovem e mal-orientada. desejei a honra que agora está ao meu alcance, mas à luz do destino mais elevado que se segue, ela não passa de bela sombra que flutua diante da imaginação enfeitiçada. como as bolhas douradas da correnteza, que se desfazem no ar quanto tentamos pegá-las. "Meus filhos! Beberete vos do meu cálice? Passeareis na mesma carruagem e sorvereis um copo de alegria terrena, até alcançardes o átrio do templo de Júpiter. Então sereis amarrados à mesma estaca; as chamas de nossa pira funerária enviarão nosso espírito livre à terra do triunfo eterno, onde o brado de alegria real soará com as congratulações dos coros celestes pela nossa vitória cristã! "Pobre Teopista! Sua nobre alma ainda está esperando para completar o holocausto! Estaria sendo forçada na casa de algum vilão? "Quem sabe você morra na juventude: ela pode ser curvada com aflições bem mais pesadas que a tumba poderosa, que pesou sobre seu pó suave - uma nuvem pode colher sua beleza, e uma melancolia em seus olhos escuros, profetizar a sentença do céu aos seus favoritos, morte prematura.” Plácido foi interrompido por um servo anunciando que a pobre mulher, dona do jardim onde ele armara sua tenda, desejava vê-lo. Ele não era um homem orgulhoso e austero, que deixasse os assuntos dos pobres serem resolvidos por oficiais sem coração. Era acessível ao mais rude soldado de seu acampamento, bem como ao mais elevado oficial. Com um gesto indicou que trouxessem a mulher. Ela parecia avançada em anos, e vítima de muito sofrimento. Sua compleição enfraquecia e a simplicidade de seu vestido falavam de necessidade e pobreza; contudo, suas maneai eram nobres. Seus olhos injetados revelavam o quanto havia chorado. As lágrimas haviam deixado sulcos em sua face; seu semblante, no entanto, em toda a sua terna expressão de cuidados e dores, evidenciavam traços de beleza, nobreza, e inocência. Havendo entrado na tenda, ela caiu de joelhos diante de Plácido: — Grande chefe c líder dos exércitos de Roma! Peço-te que te compadeças do sofrimento de uma pobre c desafortunada mulher. Sou cidadã romana. Alguns anos atrás, fui separada de meu marido e filhos, e trazida para este lugar à força, para propósitos ilícitos. Mas empenho minha palavra, perante o senhor e o céu. nunca deixei de ser fiel a meu marido e a meus filhos. Estou aqui no exílio, em tristeza e miséria. Suplico-te, pelo amor que o senhor tem por tua esposa e teus filhos, leva-me de volta a Roma, aos meus amigos, aos meus..:10 Ela não pôde dizer mais nada. Em sua exaltação, pôs-se de pé, apertando os dedos cruzados. e olhando fixamente para Plácido, ela... reconheceu o marido. No momento em que ela apelara ao amor que o general tinha pela esposa, ele levou a mão à testa para ocultar as lágrimas denunciadoras de seu coração aflito. Virando o rosto, expôs uma grande cicatriz atrás da orelha. O olhar da matrona reconheceu o ferimento que seu esposo recebera na guerra judaica, e um olhar atento às feições cansadas de Plácido convenceu-a. Teopista lançou-se para ele, e com os soluços sufocan¬do cada palavra, pediu: — Dizei-me. suplico-te. tu és Plácido, o comandante da cavalaria romana, a quem o Deus verdadeiro falou nas montanhas da Itália, que foi batizado e mudou o nome para Eustáquio. e perdeu sua esposa...? — Sim! Sim! — interrompeu-a Plácido — A senhora a conhece? Fala! Ela ainda está viva? A pobre criatura fez um esforço para jogar-se nos braços dele, mas vencida pela emoção, caiu chorando: — Eu sou Teopista!11 O corpo enfraquecido de Teopista não pode suportar o choque da descoberta repentina. Quando recuperou os movimentos, ela ainda delirava, como se diante dela houvesse passado um sonho maravilhoso. Quando lhe retornou a razão, ela indagou: — É mesmo verdade, ou um espírito maligno cria fantasmas para enganar-me? Oh, como Deus é bom! Uma hora se passara, e a tenda de Plácido era cenário de uma alegria raramente experimentada neste lado da vida. Quatro corações solitários e moídos foram curados: o esposo e a esposa, os pais e os filhos, após anos de separação e provações, foram postos juntos e se reconheceram; tudo isto no espaço de uma hora. O Deus Todo-poderoso não os abandonara por um momento sequer, desde que decretara as vicissitudes que os provaria; comprovando-lhes a fidelidade. sabia como recompensá-los. A alegria que Deus despeja no coração dos fiéis é uma regato da poderosa torrente de delícias inefáveis que inunda a alma dos santos. Se os cristãos soubessem como Deus zela com especial providência sobre aflitos, se imaginassem B problemas e aflições são enviados diretamente por Ele, como a dor perderia a sua ferroada! Como a amargura diminuiria, e como o desapontamento se tornaria não apenas suportável, mas uma fonte de paz interior! A alma aflita, ajoelhada humildemente diante de Cristo, é o tipo do verdadeiro cristão. Se a história de Plácido cair nas mãos de um aflito, saiba ele, como aquela alma valente e generosa, aguardar sem blasfêmia as disposições da Providência, reprimindo até mesmo um pensamento repreensivo para com Deus. e cada murmúrio de impaciência. Tão certo como J horas de aflição e angústia são longas c escuras, o momento da recompensa virá log0: brilhantemente, totalmente desanuviado. A maior alegria que a alma pode fruir em sua habitação terrena foi preparada por Deus para aquela família feliz. A sua união aqui duraria apenas algumas semanas. Quando o acampamento foi levantado, e o exército pôs-se em marcha para Roma, Plácido sabia, por inspiração, que estava indo para a última e mais severa luta que Deus lhe tinha reservado: o seu triunfo na morte. Triunfo sobre o eu, sobre o mundo, c sobre os poderes das trevas. Ele dedicou todo o seu tempo a orar e a instruir os filhos na sublime moralidade e doutrina da fé cristã. E pediu a Deus um favor que lhe foi concedido: já que Ele havia permitido, em sua misericórdia, abraçar novamente a família, que a felicidade de sua união não fosse, nunca mais, anuviada pela separação; se o testemunho de seu sangue fosse exigido para fortificação da fé e da glória da Igreja, que a sua esposa e os seus filhos pudessem participar do mesmo favor recompensador da graça divina. Enquanto as legiões marcham do leste, sigamos adiante delas até a grande capital, e preparemos nosso leitor para as cenas que em breve se seguirão. A bela e comovente história do nobre general romano está para ter um fim trágico - um dos desfechos mais luzentes nas páginas da Igreja, porém um dos mais escuros nos anais da ingratidão e da crueldade paga.

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