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MINISTÉRIO EM DEFESA DA FÉ APOSTÓLICA


PASTOR SERGIO LOURENÇO JUNIOR - REGISTRO CONSELHO DE PASTORES - CPESP - 2419

QUEM CHAMA AO MINISTÉRIO É O SENHOR - O CAMINHO DE DEUS EM TEMPOS DIFÍCEIS - A. LADRIERRE

Se considerarmos o ministério, que veremos nós? Em que estado se encontra? Desejo, porém, e desde já, esclarecer que não pretendo atingir as pessoas. Existem muitos que são piedosos servos de Deus. Refiro-me apenas aos princípios. Pois bem! Que vemos nós nas diferentes corporações religiosas acerca do ministério? Em primeiro lugar um princípio geral prevalece por toda a parte: não se pode exercer o ministério sem se ter sido consagrado ou ordenado por um homem ou por uma corporação de homens—que eles mesmos, por sua vez, já foram ordenados por outros homens. E aí temos uma clerezia estabelecida na Igreja de Deus. Nas igrejas romana, grega e anglicana, esse clero forma toda a hierarquia, de que não encontramos vestígio algum nas Escrituras, e que desce desde o arcebispo aos simples funcionários eclesiásticos, sem contar, na igreja romana, aquele que tem a triste audácia de se colocar à cabeça e acima de tudo e de todos, intitulando-se vigário de Jesus Cristo. Sem ter chegado a tanto, o protestantismo, nas suas diversas denominações, não deixa de apresentar uma verdadeira clerezia nos seus corpos de ministros ou consagrados, e somente estes podem administrar o batismo e a ceia, não podendo, sejam quais forem os dons que tenham recebido de Deus, exercê-los, sem largos anos de estudos — não das Escrituras, que não têm entre eles senão um lugar muito fraquinho, mas de ciências, mais próprias para transtornarem a fé do que para estabelecê-la ou fortatecê-la. Em lugar do ministério no poder do Espírito, tem-se um ministério feito e preparado pelo homem, ministério este que, em lugar de se exercer livremente, segundo o dom da graça recebido, na única dependência do Verdadeiro Chefe da Igreja — CRISTO! — tem necessidade do controle e da aprovação do homem. E isto é tão certo que, se houvesse alguém numa congregação que tivesse recebido um tal dom, a não ser que fosse ministro ordenado ou consagrado pelos homens e para tal autorizado, ele não poderia abrir a boca! Não é isto rejeitar o Espírito (1 Ts5:19)? É porventura este o princípio segundo o qual, na Palavra de Deus, vemos atuar os obreiros do Senhor e em virtude do qual Paulo dizia de si mesmo: "Apóstolo [ou: enviado], não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai..." (Gl 1:1)? E, se por vezes, nalgumas congregações, se deixa um pouco de liberdade, isso constitui raríssima exceção. Os princípios e a maneira de atuar são tal como acabo de referir. E que resulta daí? Vejamos. Um certo jovem quer dedicar-se ao ministério, como agora se diz. Talvez não possua nenhum dom; talvez nem sequer seja convertido, mas isso pouco importa. Ele será aceito da mesma maneira, sobretudo se puder pagar. Fará estudos de teologia, passará nos exames, defenderá uma tese, e, convertido ou não, sadio na fé, segundo as Escrituras, ou não, será investido num determinado grau acadêmico, tal como nas ciências humanas e, se o pedir, será ordenado ou consagrado e obterá um posto de sacerdote, de pastor, de padre (o que, com o tempo, poderá guindá-lo a bispo, a cardeal ou até Papa!) e tornar--se assim um condutor de almas, ensinando-as e alimentando--as da sã doutrina — que talvez ele próprio não possua, do mesmo modo que não possuirá os dons necessários para a sua cura de almas! Onde estará então, em tudo isto, a direção do Espírito de Deus? E onde está a submissão às Escrituras, à Palavra de Deus? O que acabo de expor não será verdadeiro? Não é também verdade que em mais de um púlpito o pastor que o ocupa e deve edificar o rebanho é um incrédulo, não crê na inspiração divina das Escrituras, rejeita a divindade de Cristo e, em outros casos, se é mais ortodoxo, não é, porém, convertido? São poucos nas igrejas aqueles que mantêm perfeitamente a sã doutrina "criado", como diz Paulo a Timóteo "com as palavras da fé e da boa doutrina" (1 Tm 4:6). E quem poderá afirmar que o mal não está em contínuo crescimento? E não causará tristeza ver aqueles que têm permanecido fiéis continuarem associados aos que transtornam a fé? Outro fato bem surpreendente e que se relaciona com o ministério é este: um homem é estabelecido por um arcebispo, por um sínodo ou por qualquer outra autoridade humana, para ser o pastor de uma igreja. A partir daí ele passa a dizer: "A minha igreja", "o meu rebanho". Seria isto que Paulo dizia aos anciãos de Efeso? Ouçamo-lo: "Olhai, pois, por vós e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos [ou supervisores], para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue" (At 20:28). Eles, os bispos, são muitos — não um só! — estabelecidos pelo Espírito Santo, e não homem! E em nenhuma passagem das Escrituras se nos diz: a igreja ou o rebanho de Fulano de Tal. E este único homem, estabelecido sobre o rebanho, deve fazer tudo: ser evangelista, mestre, pastor, vigilante ou bispo, etc, quando, talvez, não tenha senão apenas um desses dons — ou mesmo nenhum! A separação, ou antes, a divisão entre as diversas* denominações é tão distinta que, se mesmo um ministro de outra igreja se apresentar, não poderá falar na assembléia, sem autorização expressa (e muito menos ainda um simples cristão, um leigo, como se diz!).

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