PODE SER PIOR - VIVENDO COM PROPÓSITOS A RESPOSTA CRISTÃ PARA O SENTIDO DA VIDA - PASTOR ED RENÉ KIVITZ
Esse estado de espírito perturbado torna–se muito pior quando tempe¬rado pela culpa religiosa, especialmente para algumas pessoas sinceras e esclarecidas em sua experiência espiritual que não encontram explicação
para o descompasso entre a fé e sua condi¬ção existencial. Como pouquíssima gente tem coragem de afirmar que Deus não fun¬ciona, a maioria acaba desconfiando da qua¬lidade de sua fé ou de sua dinâmica de vida. A convicção de que Deus resolveria todos os problemas, somada à experiência da per¬turbação interior, leva ao desespero quem está perdendo a guerra mesmo em parce¬ria com um Aliado onipotente. Isto é, quem acreditou que Deus seria a solução para uma vida plena, mas que, mes¬mo sendo íntegro em suas obrigações, ainda assim vive um estado de espírito perturbado, chegou no limite e pergunta–se: "o que vem depois de Deus?" ou "o que posso tentar seja tentei até mesmo Deus?".
Creio que não são poucos os que estão sinceramente errados em sua peregrinação espiritual. Caso seja possível, e assim creio, existe muita gente relacionando–se com o Deus certo, mas da maneira errada. Estão iludidos por falsas convicções a respeito de como experimentar a bonda¬de de Deus. Crêem, de fato, que Deus é capaz de oferecer descanso para as nossas almas, de encher–nos de paz que excede todo entendimento, de alegria plena e de vida abundante (ou completa), mas desconhecem os processos da peregrinação espiritual e podem enquadrar–se em alguns , dos principais equívocos a respeito da dinâmica da espiritualidade cristã. São capazes, por exemplo, de acreditar que as dádivas de Deus independem de suas próprias atitudes. Imaginam que os favores de Deus vêm automaticamente pelo simples fato de que crêem em Deus. Por exem¬plo, acreditam que podem continuar vivendo de maneira egoísta, orgu¬lhosos de sua humildade e cheios de empáfia contra aqueles que, pelo menos em sua opinião, são menos iluminados. Talvez não tenham ouvido que Deus opõe–se aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes, e que se alegra em atender os que pedem com fé, sem vacilar.
Por outro lado, há os que imaginam que as dádivas de Deus são res¬postas apenas às atitudes interiores abstraías e que desconsideram a ne¬cessidade dos exercícios espirituais, da busca disciplinada, do esmurrar __ o corpo para não ser desqualificado, da oração perseverante, do estudo incansável das Escrituras Sagradas para que a Lei seja alimento de medi¬tação diuturna.
Há os que pensam que todos os favores de Deus são experimentados em termos definitivos, isto é, aquele que recebeu uma graça fica com ela para sempre. Perguntam–se, atónitos: "Mas não entreguei minha vida a Deus? Então, por que não tenho alegria?" Talvez, careçam ouvir o apósto¬lo Paulo ensinando que a alegria é fruto do Espírito Santo e que apenas aqueles que se deixam continuamente en¬cher pelo Espírito a experimentam. Ou, quem sabe, devem atentar melhor para a declaração de que o caráter de Cristo é for¬mado em nós processualmente, com glória cada vez maior, custando inclusive dores de parto aos que trabalham em nosso favor, de modo que somos sempre en¬corajados a desenvolver nossa salvação com temor e tremor, algo como abrir a caixa de recursos que Deus colocou em nossas mãos e aprender a usar as ferramentas, uma de cada vez.
Existem também os que esperam uma experiência espiritual instan¬tânea, que os conduza definitivamente a um status permanente de plena satisfação e realização. São pessoas que crêem que, se oraram hoje e Deus lhes apaziguou o coração a respeito da enfermidade do pai hospitaliza¬do, não precisarão orar amanhã, pois já receberam a paz que excede todo o entendimento. Na manhã seguinte, ao se perceberem novamente perturbados, questionam onde está seu erro. Estaria Deus falhando em cumprir sua promessa, ou a fé com que buscaram a Deus era fraca? Ou, pior, Deus os estaria punindo por um pecado ou outro que desconheciam (ou, pior ainda, que conheciam)? Falta–lhes o esclarecimento de que a experiência espiritual cristã é dinâmica. Jesus não prometeu um copo de água que mataria definitivamente a sede. O que Jesus prometeu foi que, do interior de quem crê, brotará uma fonte a jorrar para a vida eterna, e isso sugere que a essa fonte devemos recorrer sempre, e nova¬mente, e de novo, para que, toda vez, quando nosso espírito se perturbar ou for perturbado, encontremos descanso e provisão.

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