PODER PARA MORRER (ATOS 1.8) - PENTECOSTE O FOGO QUE NÃO SE APAGA – PASTOR HERNANDES DIAS LOPES
Jesus falou que precisamos de poder não apenas para viver, mas também para morrer. A palavra "testemunhas" em Atos 1.8 vem do grego martiria, de onde se origina a nossa palavra "mártir". Precisa-mos de poder para morrer, pois quem não está preparado para morrer, não está preparado para viver. Ser cristão no tempo dos apóstolos não era símbolo de prestígio político, mas de perseguição, espólio, prisão e morte. Declarar-se cristão era algo arriscado e perigoso. Podia sig¬nificar abandono, cadeia e morte. Muitos cristãos foram presos, tor¬turados, saqueados e mortos com requintes de crueldade por causa da sua fé. Muitos soldados de Cristo tombaram no campo de batalha e sofreram doloroso martírio por causa da sua fidelidade a Cristo. Mui¬tos perderam a família, os bens e a própria vida, sendo jogados nas arenas, enrolados em peles de animais, mordidos e dilacerados pelas dentadas dos cães; outros foram pisoteados e rasgados pelos touros enfurecidos. Não poucos foram destroçados pelos esfaimados leões da Líbia ou traspassados pelas espadas dos gladiadores. Miríades de crentes morreram queimados, outros crucificados, outros afogados, outros estrangulados e decapitados por causa da sua fé em Cristo. Desde Estêvão, o protomártir do cristianismo, Tiago, Paulo, Policarpo, a viúva Felicidade, a jovem senhora Perpétua, a escrava Blandina e milhares de outros, como John Huss, Jerônimo Savonarola, comple¬tam a galeria dos heróis da fé que, por amor a Deus, fidelidade a Jesus e compromisso com o Evangelho, selaram com o próprio sangue o testemunho da cruz!
Sem o poder do Espírito, tornamo-nos covardes como Pedro na casa do sumo sacerdote Anás. Sem o poder do Espírito, perdemos a intrepidez de falar do Evangelho diante das ameaças do mundo. Mas, quando somos revestidos com esse poder, força nenhuma nos detém, os açoites não nos intimidam, as prisões não nos amordaçam nem a morte nos abala (At 4.18-21). Foi esse poder que sustentou Paulo como um arauto na prisão até a morte. Foi esse poder que sustentou
Estêvão diante do martírio. Foi esse poder que capacitou John Huss a enfrentar a fogueira com serenidade. Foi esse poder que encorajou Lutero a ir a Worms e dar firme testemunho da sua fé. Precisamos poder para viver com Jesus e para morrer para Jesus.
Uma das coisas que marcou profundamente a minha vida foi visitar o museu dos mártires, em Seul, na Coréia do Sul. A igreja evangélica coreana cresceu num solo regado pelo sangue dos márti-res. Milhares de crentes foram castigados até a morte, com requintes de crueldade, na época da ocupação japonesa. Centenas de pastores foram decapitados às margens do rio Ran. Mais tarde, na fratricida guerra contra a Coréia do Norte, outras centenas de crentes morreram por sua fidelidade a Cristo. Nesse museu, vimos numa enorme sala quadros singelamente emoldurados com as fotografias de centenas de mártires. Em cada quadro havia um breve histórico com o relato da vida, das obras, do ministério e sobretudo da maneira cruel com que cada pessoa foi torturada e morta pela sua fé. Ali naquela sala chorei ao ver que muitos daqueles mártires morreram sem ver o gran¬de avivamento que Deus enviou sobre a Coréia do Sul. Deus honra o sangue dos mártires. O sangue dos mártires, como dizia Tertuliano, é o adubo para a sementeira do Evangelho. Depois de observar atenta¬mente todos aqueles quadros, já na saída da sala, aproximei-me do último quadro. A moldura era a mesma, mas não havia fotografia. Quando fiquei de frente para ele, havia no lugar da fotografia um espelho. Vi o meu próprio rosto e, embaixo, uma frase lapidar: "Você pode ser o próximo mártir". As lágrimas rolaram em meu rosto. Re¬conheci que precisava ser revestido com o poder do Espírito para ser um mártir de Jesus!

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