PODER PARA VIVER EM SANTIDADE (ATOS 3.4) - PENTECOSTE O FOGO QUE NÃO SE APAGA – PASTOR HERNANDES DIAS LOPES
Pedro e João disseram ao paralítico em Jerusalém: "Olha para nós..." (At 3.4). Esta é uma afirmação ousada, audaciosa. Só quem anda com Jesus, quem é revestido com o poder do Espírito, pode ter tamanha intrepidez. Hoje assistimos a um hiato, um abismo, um di-vórcio entre o que as pessoas falam e o que elas fazem. Vemos gente santarrona blasonando belas palavras para a igreja e vivendo em prá-ticas pecaminosas abomináveis no secreto. Vemos pastores que cobram de seus rebanhos uma vida santa e vivem sua intimidade regaladamente no pecado. Vemos líderes que tratam a igreja com rigor e dureza, mas cultivam a devassidão moral na vida privada. Vemos obreiros zelosos, atentos aos mínimos detalhes da lei, mas condes-cendentes com o pecado na vida particular.
É alarmante perceber o grande surto de decadência moral entre os líderes evangélicos nesses dias. Centenas de pastores têm capitula-do e naufragado no mar agitado da paixão sexual. A juventude evan-gélica tem sido achatada pela avalancha dos novos conceitos morais, que desconhecem limites e odeiam toda a sorte de absolutos éticos. Muitas vezes, tentamos driblar a nossa própria consciência dizendo às pessoas: "Vocês não podem olhar para o pastor, nem para o presbítero, nem para o diácono, nem para as mulheres da igreja, mui-to menos para os jovens. Vocês precisam olhar só para Jesus". Não queremos ser modelos. Não queremos ser luz. Não queremos pagar o preço de ser santos. Paulo disse à igreja de Corinto: "Sede meus imi-tadores, como também eu sou de Cristo" (I Co 11.1).
A igreja precisa pregar não apenas aos ouvidos, mas também aos olhos. Precisa não apenas proferir belos discursos, mas também viver em santidade. Não basta que as pessoas ouçam de nós belos sermões, elas precisam ver vida santa. O diácono Filipe, ao chegar à cidade de Samaria, viu ali um grande avivamento, e as multidões atendiam, unânimes, às coisas que ele dizia. Mas por quê? Qual era a razão da eficácia do ministério de Filipe? É que Filipe falava e fazia. Ele pregava e demonstrava. Ele pregava aos ouvidos e também aos olhos (At 8.6). Quando João Batista enviou seus emissários para in-terrogar a Jesus se ele era de fato o Messias, o Mestre mandou lhe dizer: "... Ide e anunciai a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evan-gelho" (Mt 11.4,5). Quando o paralítico abordou a Pedro e João na entrada do templo, eles não fizeram um discurso, mas disseram: olha para nós (At 3.4). A vida da igreja precisa falar mais alto que o seu discurso. Onde não há vida, a palavra é desacreditada, o discurso é vazio e inócuo. Sem santidade não existe pregação eficaz. Sem santi-dade não existe ministério ungido. Sem santidade não podemos ser boca de Deus (Jr 15.19). Sem santidade o bastão profético em nossas mãos não tem nenhum valor, como aconteceu no caso de Geazi (II Rs 4.31). A Palavra de Deus é verdade em nossos lábios, quando vive¬mos na presença de Deus e fazemos a obra de Deus no poder do seu Espírito (I Rs 17.1,24).
A igreja hoje, mais do que nunca, está precisando de vestes alvas, de vida limpa, de mãos purificadas, de pés lavados, de coração íntegro. O mundo tem influenciado mais a igreja do que a igreja ao mundo. Porque a igreja tem deixado de ser luz no mundo, o mundo tem entrado dentro da igreja. Em vez de a igreja convocar o mundo ao arrependimento, é o mundo que tem proclamado os pecados da igreja. A mídia veicula mais os escândalos da igreja do que suas vir-tudes. A igreja tem amado o mundo, sido amiga do mundo e se con-formado a ele. Os cristãos estão-se imiscuindo nas mesmas práticas reprováveis daqueles que não conhecem a Deus. A ética de muitos cristãos é relativa e situacional, à semelhança das pessoas que não conhecem os absolutos da Palavra de Deus. Os estudantes cristãos, não poucas vezes, utilizam o expediente imoral da cola para auferir boas notas nas provas. Os empresários cristãos nem sempre são trans¬parentes e éticos em suas transações comerciais. Suas empresas não suportariam uma devassa como a que ocorreu na vida do profeta Daniel. Os jovens cristãos estão-se entregando à sensualidade des-controlada no namoro, à semelhança dos gentios que não conhecem a Deus (I Ts 4.3-8). O vestuário indecoroso, sumário, apelativo e sen-sual, ditado pela moda, nem sempre é evitado pelas mulheres e jo¬vens cristãs. A vida sexual do povo de Deus tem sido contaminada pelo lixo dos filmes pornográficos que como coisas abomináveis en¬tram nos lares cristãos (Dt 7.26). As famílias evangélicas estão mer¬gulhadas nas mesmas crises conjugais que as não cristãs. Os casa¬mentos estão sendo desfeitos nas barras dos tribunais por motivos fúteis e não por razões bíblicas que justifiquem o divórcio e um novo casamento. Assim, estamos abrindo as portas para verdadeiros adul¬térios institucionalizados (Mt 19.9). A igreja não pode estar bem se a vida privada do povo está em crise. Não adianta existir ajuntamento solene se a vida particular das pessoas que se reúnem está em deca¬dência (Is 1.15). Deus não aceita o culto da igreja, ainda que animado e alegre, se esse mesmo povo está vivendo em pecado (Am 5.23). E inútil acender o fogo do altar e abrir as portas da igreja se os adoradores não levam Deus a sério (MI 1.10). Quando Deus rejeita o adorador, a oferta também não pode ser aceita (Gn 4.3-7). Por outro lado, a qua-lidade da oferta é um reflexo da vida do adorador (Ml 1.9). Deus busca adoradores que o adorem em espírito e em verdade (Jo 4.24). Deus quer verdade no íntimo (SI 51.6), espírito quebrantado e cora-ção compungido e contrito (SI 51.17). Estamos precisando de um Pentecoste que desperte a igreja para a busca da santidade. As pesso-as estão correndo atrás de bênçãos. A palavra de ordem hoje é que o homem merece ser feliz. Mas o projeto de Deus é que sejamos santos. Sem santidade ninguém verá a Deus (Hb 12.14). O fruto do justo é árvore de vida (Pv 11.30), mas o salário do pecado é a morte (Rm 6.23). O caminho da santidade conduz à glória, mas as veredas do pecado conduzem ao inferno.

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