BUDISMO - PONTOS DOUTRINÁRIOS BÁSICOS DO BUDISMO
Buda ensina que a verdade foi descoberta por
ele e não inventada. Assim, qualquer pessoa poderá, também, descobri-la
seguindo seus ensinamentos. Segundo os budistas, crer em Buda não significa
crer em sua imagem e muito menos adorá-la, mas, sim, crer e adorar a “verdade”
que ele descobriu e que constitui a Lei da Natureza. A fé, na concepção
budista, é uma predisposição interior que propicia ao homem abrir o coração
para a chamada “tríplice pedra preciosa”: o Buda; o Dharma (a lei do budista) e
o Sangha (sua comunidade). Esta fé, entretanto, permite ao budista acumular a prática
de antigas religiões nas quais desenvolveu crenças, podendo, inclusive,
definir, dentre quantas desejar, a divindade a qual deverá devotar sua
adoração. A concepção de Buda a respeito de Deus era semelhante à do ateísmo,
divergindo apenas quanto à existência de Deus. Ou seja, para Sidarta tal
existência era inútil, porque ele achava que a confiança em divindades ou em
demônios não ajuda nem atrapalha. O homem deveria sempre depositar sua
confiança em si mesmo e vencer o sofrimento, essência da vida humana. Sidarta
enfatizava que o sofrimento procedia do desejo e que, para se atingir a
salvação, seria necessário eliminá-lo. Quando se consegue isso, entra-se em um
estado de “bem-aventurança”, que seria o nirvana. Quando se alcança o nirvana,
a alma humana torna-se uma com o Absoluto, isto é, a realidade última. Os
ensinos (Dharma) de Sidarta encontram-se resumidos nas “quatro verdades
nobres”. São elas: A realidade do sofrimento. Todo sofrimento humano é
resultado do carma passado. As ações de uma pessoa determinarão o ciclo de
reencarnações pela qual ela terá de passar até chegar ao nirvana. A causa do
sofrimento. A causa do sofrimento é o desejo: gratificação, o desejo da
existência e também o desejo da não-existência. O fim do sofrimento. O
sofrimento pode e deve ser totalmente eliminado. O objetivo central do budismo
é dar ao homem a eterna libertação do sofrimento por meio da libertação de todo
o desejo, o que equivale a ser liberto do ciclo interminável de reencarnações e
entrar no bem-aventurado estado do nirvana. O caminho para a eliminação do
sofrimento. Trata-se de oito passos básicos destinados a suprimir o desejo e,
desta maneira, abrir o caminho para a iluminação, conhecido como “os oito
caminhos nobres”. Os caminhos estão divididos em três categorias. Vejamos.
Moralidade: palavras, ações e vida corretas. Concentração: sabedoria, esforço e
pensamento corretos. Visão (ou compreensão) correta e aspirações corretas. Estas doutrinas têm sido compreendidas e
proclamadas principalmente por três grandes escolas de filosofia budista, a
Hinayana, a Mahayana e a Vajrayana. O pequeno veículo: O Hinayana é a forma
mais remota dessa religião. Forma que também é conhecida como Theravada, cujo
significado é “pequeno veículo”, uma expressão que explica o fato de só os
monges terem acesso a esta corrente, possuindo maior expressividade nos países
do sul da Ásia, como Sri Lanka, Mianmar, Camboja, Laos e Tailândia. Seus
seguidores acreditam que a única forma de se alcançar o nirvana (estado de
ausência total de sofrimento) é detendo a paz e a plenitude que a pessoa obtém
por meio de uma evasão de si mesma na expansão da sabedoria, além de
resignar-se a um estilo de vida dentro de uma ordem monástica. A sociedade dos monges está dividida em duas
partes, cada qual para o respectivo sexo. Seus componentes seguem uma rotina
bastante sistemática: levantam-se cedo, buscam a esmola antes do meio-dia e,
num ato contínuo, realizam a única refeição diária. À tarde, entregam-se à
meditação e ao repouso até a hora estabelecida para a leitura das escrituras,
durante a reunião pública. A noite é reservada para o banho purificador,
seguido por um longo período de diálogo que se desenrola entre grupos de dois
ou mais irmãos da casta monástica. Além do costumeiro jejum praticado entre os
monges e monjas, há uma reunião para a celebração do uposatha (observância),
ritual que se constitui em um retiro de rigorosos jejuns realizado a cada
quarto de Lua. O grande veículo: Trata-se do budismo Mahayana. Esta vertente do
budismo surgiu no século 2 a.C. e, no sânscrito, é traduzida por “grande
veículo”, por permitir que um grande número de pessoas alcance a salvação. O
Mahayana define que (ainda que a aspiração final do ser humano seja o nirvana)
o sábio (conhecido como bodhisattva ou futuro Buda) tem o poder e o dever de
adiar sua morte e libertação do sâmsara para dedicar-se a ensinar aos seus
semelhantes os meios para se chegar ao nirvana, e isso por meio de atitude
prioritária de compaixão para com os demais seres humanos. Duas correntes budistas
se projetam com destaque dentro desta filosofia bastante conhecida no Ocidente:
o budismo tibetano e o zen-budismo. O budismo tibetano despontou no final do
século 8, depois da fusão das tradições que derivavam do budismo e do
hinduísmo, quando passou a ser reconhecido como a primitiva religião do Tibete.
É nesta ramificação budista que se encontra o representante de uma famosa ordem
monástica, o chefe espiritual dalai-lama, considerado um bodhisattva. Já o
zen-budismo nasceu no século 6, na China, onde foi introduzido pelo mestre
indiano Bodhidarma. Difundiu-se, principalmente, no Japão, a partir do final
século 12, e passou a influenciar a cultura e as artes marciais e, acima de
tudo, o modo de pensar do povo japonês. Está alicerçado no exercício da meditação
e na prática da postura e da respiração como meios de se atingir os ápices
desejados e confere muito mais ênfase a esta nuança da seita do que aos
exercícios teóricos e aos estudos das escrituras. Os praticantes desta
modalidade do budismo acreditam que o corpo é dotado de sabedoria própria e que
tal sabedoria deve ser empregada para fins de ordenamento da vida cotidiana. O
zen-budismo tem como base os chamados sutras que, na literatura da Índia, são
tratados nos quais se reúnem, sob a forma de breves aforismos, as regras do
rito, da moral e da vida cotidiana. Os sutras do rito Mahayana são quatro: o da
sabedoria, o da flor de lótus, o do lótus sublime e o do Buda Amina. O veículo
do diamante: Trata-se do budismo Vajrayana, traduzido também por “veículo do
diamante”. É a corrente menos difundida, porém, a que mais aponta diversidade
com as origens do budismo, perseverando em aspectos que mereceram apenas a
crítica de Buda, ou seja, o ritualismo, a mística e a magia. Reclamou espaço
como corrente budista no século 6, propagando-se posteriormente pela Mongólia e
Tibete, onde é conhecido como Lamanismo, uma vez que reconhece a autoridade
tanto política quanto religiosa do dalai-lama, personalidade máxima no budismo
tibetano.

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