A PERSEGUIÇÃO AOS CRISTÃOS NA NIGÉRIA
Entre protestantes e católicos, cerca de 50% da população nigeriana é cristã. O islã chegou ao norte do país em 1800, principalmente através do comércio, que mais tarde expandiu a sua influência através da guerra. Constitucionalmente a Nigéria é um estado secular com liberdade de religião. No entanto, há quase 40 anos a elite governante do Norte têm dado tratamento preferencial aos muçulmanos, discriminando os cristãos. Pouco foi feito para diminuir a perseguição dos cristãos, muito pelo contrário, desde 1999, a lei islâmica sharia foi imposta em 12 estados nordestinos.
Com 187 milhões de habitantes, o país é o mais populoso da África e também o maior produtor de petróleo no continente com uma produção de mais de 2 milhões de barris por dia. No entanto, é uma das nações mais corruptas do continente, de acordo com a Transparência Internacional. Com a história de golpes e contragolpes, o país mudou para um novo capítulo da história de maio de 2015, quando o presidente admitiu a derrota nas eleições presidenciais e passou o poder para a oposição. Nos últimos anos, o país tem lutado contra a insurgência e o extremismo no Norte.
A religião
O sultão de Sokoto, Muhammad Sa'ad Abubakar (líder espiritual dos muçulmanos nigerianos) é conhecido por suas visões extremistas. Ele fez algumas declarações provocantes, em uma delas encorajou os muçulmanos a espalharem o islamismo de forma ‘agressiva’.
Os ataques incessantes e a pressão sobre os cristãos no Norte criaram dois efeitos contraditórios. Por um lado, eles têm impulsionado muitos cristãos a se aproximarem mais de Deus. Muitos se sentiram encorajados a organizar orações em grupo de células e a buscar a face do Senhor. Muitas igrejas estão se envolvendo no evangelismo de maneiras inovadoras. Há um aumento no número de ministérios e de organizações que ajudam também no número crescente de ex-muçulmanos convertidos ao cristianismo. Por outro lado, os constantes ataques criaram desespero e desânimo, o que levou a maior parte dos cristãos a deixar a região.
A perseguição
A rebelião do Boko Haram continuou inabalável deixando muitas vidas cristãs feridas e numerosas igrejas destruídas. O governo federal parece incapaz de acabar com o terrorismo muçulmano embora o exército e a polícia tenham atualizado suas habilidades por meio de treinamento antiterrorista, obtendo armamento especial e também usado todos os meios legais para combater a violência. Líderes da Associação Cristã da Nigéria (CAN) protestaram e reclamaram da ação insuficiente do governo em proteger a vida e as propriedades dos cristãos.
O Boko Haram têm sido o autor principal das atrocidades, as atividades desse grupo terrorista islâmico estão causando medo nos cristãos, evitando assim que muitos cheguem às reuniões religiosas. Porém, é um erro pensar que a perseguição parte somente deles. Existem outros grupos terroristas islâmicos que ameaçam a vida dos cristãos. Estes grupos terroristas inspiram uns aos outros, criando assim um efeito dominó, levando a movimentos mais fanáticos e violentos. Todos eles são uma ameaça imprevisível para os cristãos. Além disso, a islamização da sociedade é talvez a mais dura, no círculo vicioso de perseguição. O sistema jurídico da sharia trouxe uma enorme pressão sobre a vida cotidiana dos cristãos e suas comunidades. Em resposta a isso, os pastores Hausa-Fulani muçulmanos também têm cometido atrocidades em rebelião à lei.
O futuro do país
A situação atual na Nigéria indica nuvens escuras pela frente. É previsto que o Boko Haram aumente sua influência na região, fazendo com que a igreja continue sofrendo uma perseguição mais violenta em um futuro próximo, dentro e fora do país. O Norte possui um grande número de deslocados, muitos cristãos. Estes refugiados foram deslocados internamente, pelo regime de terror do Boko Haram ou pelos ataques ferozes (muitas vezes cobertos pelas autoridades locais) dos pastores muçulmanos Hausa-Fulani.
Muitos deles não são atendidos por agências nacionais ou internacionais de ajuda. Eles são um testemunho visível da hegemonia dos perseguidores e a elevada vulnerabilidade dos perseguidos nesta região. E isto, por sua vez incentiva mais violência com a impunidade e espalha medo entre os cristãos perseguidos. Esse círculo vicioso só pode ser quebrado quando a comunidade internacional intervir por meio de ajuda humanitária ou de alguma outra forma.
Embora Buhari esteja tentando conter a ameaça causada pelo Boko Haram e Hausa-Fulani, infelizmente não é esperado que se faça muita coisa sobre a violência do último grupo, que luta pelo controle da região no Cinturão Médio da Nigéria. Por exemplo, a inclusão de literatura islâmica no currículo federal de ensino sob a liderança de Buhari contribui efetivamente com o objetivo de islamizar crianças e adolescentes. Esses sinais só mostram que dificilmente o presidente fará alguma coisa em prol dos cristãos.

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