RODRIGO MAIA CATÓLICO APOSTÓLICO ROMANO, ELEITO PRESIDENTE DA CÂMARA EM REAÇÃO ANTI-CUNHA
O deputado Rodrigo Maia, do DEM do Rio de Janeiro, foi eleito na
madrugada desta quarta-feira presidente da Câmara. Ele comandará a casa até
janeiro de 2017, quando terminaria o mandato de Eduardo Cunha, que renunciou na
semana passada ao cargo. O democrata conseguiu unir os votos da antiga e nova
oposição em torno de um objetivo comum - derrotar Rogério Rosso, candidato
apoiado pelo ex-presidente da Casa Eduardo Cunha. Ambos os nomes são da base do
governo Temer e agradavam o Planalto. Maia acabou ganhando de lavada, com 285
votos, contra 170 de Rosso. No total, a casa tem 513 deputados, mas Cunha,
afastado do mandato, não votou. Dessa forma, o democrata contou com o apoio
formal de seus tradicionais aliados (PSDB, PPS e DEM) e de partidos que eram da
base de Dilma Rousseff, como PDT e PCdoB. O voto é fechado, mas certamente Maia
também recebeu votos do PT, partido ao qual sempre fez oposição. Oficialmente,
a legenda da presidente afastada orientou a bancada a se abster. "Ambos
são ruins, mas um, além de ruim, tem o carimbo de Eduardo Cunha", disse
Silvio Costa (PTdoB-PE), fiel escudeiro de Dilma, ao defender voto em Maia.
O resultado da eleição para seu sucessor
reforça a expectativa de que o peemedebista será cassado em agosto. Após a
vitória, Maia chorou e disse que comandará a Casa com "simplicidade".
Ele venceu com um discurso de volta à política tradicional, com respeito entre
governo e oposição, em claro contraponto ao estilo incendiário de Cunha. Ao
discursar no plenário pedindo votos, defendeu a importância da Câmara para
resolver a crise do país. "Ali (na cadeira de presidente), serei um de
513. Nós vamos devolver ao plenário a sua soberania. (...) É melhor votar com
calma, mas votar matérias que são corretas. É isso que cada um quer",
disse, indicando que não seguirá o modelo de Cunha de pautar temas polêmicos em
votações aceleradas. Quando o
resultado foi proclamando, os deputados gritaram em coro "Fora, Cunha!
Fora, Cunha". "Infelizmente tentaram colar essa imagem, e não
era", disse Rosso, sobre ter sido tachado de candidato do peemedebista. Questionado
pela BBC Brasil se o resultado indicava que a Casa está cansada do estilo
incendiário do ex-presidente, o candidato derrotado disse esperar que Maia atue
com transparência. "É, eu achO
que tem que ser sensato agora, compartilhar com a Casa as decisões, ter
transparência, ter participação do parlamentar, que fica muito angustiado
quando já recebe pautas prontas, quando não sabe exatamente o que vai
acontecer. Então, que o Rodrigo possa ter essa transparência." Rosso vinha
sendo apontado como favorito devido ao apoio do "centrão". De estilo
simpático, o deputado tem bom trânsito com a maioria dos partidos. Já Maia tem
personalidade oposta, é conhecido por sua antipatia, mas tem fama de respeitar
acordos.

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