VÍTIMAS DE ESTUPRO DO ESTADO ISLÂMICO ESCOLHEM NÃO ABORTAR BEBÊS EMBORA A GRAVIDEZ DESSAS MULHERES TENHA SIDO FRUTO DA BRUTALIDADE DOS TERRORISTAS, MUITAS ESCOLHERAM MANTER OS SEUS FILHOS
Depois que os militantes do grupo terrorista Estado Islâmico levaram
milhares de mulheres e meninas como suas escravas sexuais, elas voltaram
grávidas para suas comunidades. O líder espiritual "Baba Sheikh"
exortou as pessoas para que as recebessem de volta sem julgamentos, pelo fato
delas terem sido obrigadas a ter relações com os agressores. Apesar disso, elas
tiveram algumas complicações com a vida social. "As vítimas são nossas
filhas e irmãs, mas é inaceitável em nossa religião permitir o nascimento de
qualquer criança se ambos os pais não são da mesma etnia", disse Baba
Sheikh. “É também uma vergonha para as tribos", acrescentou. "Se
essas crianças nascem, as pessoas vão perguntar quem são seus pais. São eles
afegãos? São eles europeus?", ressaltou. Devido a isso, o aborto é visto
como uma solução, mesmo sendo algo ilegal no Iraque. Apesar disso, muitas
mulheres não querem se submeter ao procedimento. Rezan Dler, uma parlamentar
feminina do Conselho de Representantes do Iraque que tem trabalhado em
colaboração com yazidis sequestradas, revelou que é comum que as vítimas de
estupro queiram manter seus bebês. "Uma mulher Yazidi que estava grávida
de oito meses quando escapou do Estado Islâmico queria manter seu bebê, mas o
marido insistiu em se divorciar dela caso ela se recusasse a fazer um aborto. O
casal finalmente se separou. Hoje a mulher vive em um campo de refugiados com a
criança de cinco meses", disse Dler. Em alguns casos, a vítima de estupro
opta por dar à luz e, em seguida, entregar seu bebê para adoção a casais
inférteis. Algumas mulheres são tão determinadas a proteger seus bebês que
"elas já indicaram que preferem permanecer sob a escravidão se caso voltar
para casa signifique perder o bebê", pontuou. Dler esperava que a lei
protegesse estas mulheres e seus desejos, mas, infelizmente, a legislação não
está do seu lado. Xamosh Omar, juiz e consultor jurídico do parlamento
curdo-iraqueano, disse que a lei impõe que estas crianças sejam tratadas como
se fossem nascidas de adultério. Dessa forma, suas mães não terão o direito de
criá-las. Como mulher, o coração de Dler está com essas vítimas de estupro.
"Eu sou uma mulher e eu entendo que elas foram estupradas e o que elas
devem passar. Mas para o parlamento iraquiano, este é um assunto vergonhoso de
ser resolvido. Eu duvido que eles permitam que esta questão seja levada para
discussão, e muito menos encontre uma resposta legal ", disse ela.

Nenhum comentário
Postar um comentário