IGREJA DA GRAÇA CONSTRÓI TEMPLO DE R$ 100 MILHÕES SÃO PAULO TERÁ SEXTA MEGAIGREJA
A nova sede da Igreja da Graça, fundada e liderada pelo missionário R.
R. Soares, deve custar cerca de 100 milhões de reais. Com capacidade para
10.000 pessoas sentadas, o Templo da Graça estará localizado na Avenida
Cruzeiro do Sul, próxima ao terminal rodoviário Tietê, na Zona Norte de São
Paulo. O projeto para a construção demorou oito anos para ser aprovado. Segundo
as informações apresentadas à prefeitura de São Paulo, a área total construída
será de 68 mil m². São dois prédios. O menor terá quatro andares com dois
subsolos. O outro, com nove andares e dois subsolos, abrigará o templo e um
edifício-garagem. O novo centro religioso servirá como sede das empresas da
igreja, como a sua gravadora. Além disso, terá um anfiteatro, heliponto, salas
para crianças e locais destinados para casamentos e batismos. A nova megaigreja paulistana está em obras
desde o ano passado, mas ainda não tem prazo de conclusão. A capacidade da nave
será a mesma do Templo de Salomão, inaugurado pela igreja Universal em 2014.
Romildo Ribeiro Soares é cunhado do bispo Edir Macedo e ajudou a fundar a IURD
na década de 1970. No estado de São Paulo já existem pelo menos outras cinco
megaconstruções, como os santuários católicos Theotokos – Mãe de Deus, liderado
pelo padre Marcelo Rossi e a Basílica de Aparecida. O maior espaço evangélico é
a Cidade da Glória de Deus, da Deus é Amor, em Guarulhos, que comporta 150 mil
fiéis. Depois, vem a sede da Igreja Mundial do Poder de Deus e o Templo de
Salomão, da IURD. Competição de estruturas: O professor titular de ciências da
religião da PUC-SP Jorge Claudio Ribeiro afirma que as igrejas constroem
megatemplos para ganhar mais credibilidade. Segundo ele, a inspiração para o
gigantismo dos templos vem da Igreja Católica. “O catolicismo fez isso durante
milênios, com a basílica de São Pedro, o barroco. Os evangélicos do século 21
estão aprendendo com os católicos porque viram que aquela foi uma experiência
mais bem-sucedida. Outros exemplos disso são a Marcha para Cristo, imitando as
procissões”, explica. O professor de pós-graduação em ciências da religião no
Mackenzie, Rodrigo Franklin, enfatiza que essas obras apenas demonstram uma
mercantilização da fé. “Vemos algo bem diferente do antigo cristianismo
tradicional, que pregava como prioridade o sacrifício, o amor ao próximo. Hoje,
os fiéis buscam autoajuda, quer ser rico agora, então ele não quer mais a
pequena comunidade. Se o cara está falando que você vai ficar rico, é
incoerente ele ter uma igrejinha. Se o pastor quer mostrar que o poder dele é
real, ele vai continuar construindo coisas extravagantes”, assevera. Para ele,
trata-se de uma competição eclesiástica. “Na Antiguidade, grandes templos eram
sinal de poder e autoridade. Hoje, é uma competição. No contexto de São Paulo,
é uma questão de mercado porque é uma cidade rica e tem de tudo”, finaliza. Com
informações de Veja e BBC.

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