A SOCIEDADE AMBÍGUA "SEJA O VOSSO FALAR SIM, SIM! NÃO, NÃO!" MATEUS 5:37 POR ARTUR EDUARDO
O assunto sobre o qual vou falar, neste texto, segue de certa forma uma
tendência de textos anteriores que tenho escrito para o Gospel Prime. Tenho
tentado falar sobre aquilo que não é tão óbvio, tão claro. Isto não significa
que não fale de algo importante. Às vezes, o que há de mais importante se nos
passa despercebido, principalmente por causa das polarizações a que estamos
habituados. Daí a necessidade de darmos sequência a temas semelhantes. A
sociedade em que vivemos é curiosíssima. Ao mesmo tempo em que parece estar
ávida por respostas, esta mesma sociedade quando encontra respostas que não
sejam as que se alinhem ao que ela é, normalmente as rechaça. E a crueldade com
que faz isso é quase sempre superior à avidez pela busca daquelas mesmas
respostas. Creio que nunca vivemos, neste sentido, um período como o nosso.
A sociedade ocidental elegeu um paradigma
que vem sendo estabelecido há décadas. Chamo-o de “paradigma do meio”. O que
vem a ser isso? É normal que as questões hoje tornem-se cada vez mais difusas,
com respostas cada vez mais difíceis de se discernir. A tendência geral,
contudo, não é a dificuldade de se encontrar respostas, mas de expressar
claramente o que significam os nossos crescentes posicionamentos ambíguos. É
neste sentido em que caracterizo o “paradigma do meio”. É uma tendência
hollywoodiana, por exemplo, produzir cada vez mais filmes em que a linha do
bom, do justo, do correto e do incorreto, do injusto e do mau seja difusa. Os
heróis de hoje não são mais como os de antigamente: mentem, matam, distorcem e
até corrompem-se em nome de seus ideais. Bem, como “a vida imita a arte”, a
realidade tem seguido exatamente estes passos. Os discursos sofrem a forte
tendência à ambiguidade! As posições parecem cada vez mais ambíguas. É como se
ninguém quisesse “se comprometer” com nada – essa é, sem dúvida, a maior
denotação da ambiguidade, ou seja, a abstenção. O problema disso tudo é que os
conceitos concretos ficam difusos. Concreto mesmo acaba sendo não se
posicionar, ou ser magistralmente “confuso”, no sentido de que tudo o que se
diga ou faça tenha uma dupla conotação. É quase com que se virasse regra não
sermos mais “pretos” ou “brancos”, mas “cinzas”, sem uma ideia clara do que é
bom e correto para a nossa sociedade. Deve-se mentir em quaisquer
circunstâncias, por quaisquer tipos de fins? Isto não é nenhum
“neo-utilitarismo” ou sequer um “suprarelativismo moral”, mas uma completa
anarquia de valores, travestida pela norma de conduta que vem se estabelecendo
há anos: nem sim, nem não; quando muito, talvez. Entendo que somos chamados,
como cristãos, a termos sim posicionamentos concretos e claros sobre o certo e
o errado. Isto deve ser algo patente aos cristãos, não apenas latente. Se não
repassarmos o que entendemos, corremos o risco de, em nome de qualquer senso de
moral distorcido da atualidade, uivarmos com os lobos. Aí, não seremos meros
cúmplices, e, por mais que não queiramos emitir uma posição clara sobre o que
quer que seja, estaremos, com essa atitude, testificando em alto e bom som o
quanto somos todos culpados.

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