VEREADOR QUE FEZ CAMPANHA EM TEMPLO É CASSADO PELA JUSTIÇA ELEITORAL PASTOR SARGENTO DISTRIBUIU 'SANTINHOS' EM IGREJA POR JARBAS ARAGÃO
A Justiça Eleitoral de Guarujá (SP) decidiu cassar o mandato do vereador
Marcos Pereira de Azevedo, o Pastor Sargento Marcos, eleito em 2016 pelo PSB. O
juiz da 212ª Zona Eleitoral de Guarujá, Gustavo Gonçalves Alvarez, entende que o então candidato fez propaganda irregular, dentro de um templo da Assembleia
de Deus. O fato caracteriza abuso de poder. Além disso, o magistrado determinou que o Pastor Sargento Marcos fique
inelegível por oito anos, a partir do último pleito. O julgamento foi realizado após uma denúncia do ex-candidato a prefeito pelo PSOL, Jonatas Nunes. Segundo ele,
ocorreu a distribuição de cartas e santinhos aos fiéis da igreja evangélica. O juiz eleitoral reuniu provas de que as pessoas receberam uma
carta assinada pelo presidente dessa igreja, apóstolo Paulo Corrêa, dando apoio irrestrito e explícito ao candidato a vereador. Testemunhas ouvidas em juízo afirmam que o fato realmente ocorreu, mas
foi na calçada, em frente ao templo. Na sentença, Alvarez escreveu: “É certo ainda que tal manifestação, feita por escrito, da tentativa clara de
convencer os fiéis em votar na ‘melhor opção para o ministério’ possui força desmedida, atraindo grandioso número de eleitores”. Para ele, isso gerou desequilíbrio na disputa eleitoral. Resposta: Por se tratar de uma decisão de primeira instância, a Câmara de Guarujá lembra que ainda cabe ao parlamentar recurso em instância superior. “Até o julgamento deste instrumento de defesa, o vereador permanece no
cargo, haja vista que tal medida tem efeito suspensivo, ou seja, até que haja uma confirmação da decisão, ele se mantém exercendo as atividades legislativas”, afirmou a assessoria de imprensa da Casa ao jornal A Tribuna. O caso
do Pastor Sargento Marcos não é o único. O prefeito eleito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB)
responde a acusação similar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Quando concorreu a
governador, em 2014, ele teria usado como comitê eleitoral um templo da Igreja Universal, em Duque de Caxias. O
vice-procurador-geral Eleitoral, Nicolao Dino, requer que o prefeito seja
declarado “inelegível” por abuso de poder religioso.

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