AS ESCRITURAS SAGRADAS E O CREDO ASSEMBLEIANO - DOUGLAS BAPTISTA É PASTOR, LÍDER DA ASSEMBLEIA DE DEUS DE MISSÃO DO DISTRITO FEDERAL, DOUTOR EM TEOLOGIA SISTEMÁTICA, MESTRE EM TEOLOGIA DO NOVO TESTAMENTO, PÓS-GRADUADO EM DOCÊNCIA DO ENSINO SUPERIOR E BIBLIOLOGIA, E LICENCIADO EM EDUCAÇÃO RELIGIOSA E FILOSOFIA; PRESIDENTE DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE TEOLOGIA CRISTÃ EVANGÉLICA, DO CONSELHO DE EDUCAÇÃO E CULTURA DA CGADB E DA ORDEM DOS CAPELÃES EVANGÉLICOS DO BRASIL; E SEGUNDO-VICE-PRESIDENTE DA CONVENÇÃO DOS MINISTROS EVANGÉLICOS DAS ADS DE BRASÍLIA E GOIÁS, ALÉM DE DIRETOR GERAL DO INSTITUTO BRASILEIRO DE TEOLOGIA E CIÊNCIAS HUMANAS
1. Martinho Lutero discordava que a tradição da igreja pudesse estar acima ou até mesmo equiparada com a autoridade das Escrituras. Em sua tese de número 54, o reformador reclamava que a Palavra de Deus recebia menor tempo que a divulgação das indulgências no mesmo sermão[1]. Para ele a Bíblia Sagrada era determinante para a formulação de toda e qualquer doutrina cristã. A começar por esta ideia, a Reforma desenvolveu o princípio teológico da “sola scriptura” (somente a Escritura). O reformador na Suíça, Ulrico Zwínglio (1484-1531) ensinava que “além da Bíblia, a igreja não tem outra autoridade”[2]. Os demais reformadores seguiram nesta direção. O reformador holandês Jacó Armínio (1560-1609) escreveu e ensinou que as Escrituras:
“merecem obediência, pela credibilidade conferida a elas, quando ordena ou proíbe alguma coisa [...] A autoridade de qualquer palavra ou texto depende de seu autor [...] Deus é de infalível veracidade [...] Ele é o autor das Escrituras, a autoridade delas depende total e exclusivamente dEle” [3].
2. Esta concepção não é diferente na doutrina adotada pelo pentecostalismo. Já na abertura do “cremos” das Assembleias de Deus, o ponto um declara ser a “Bíblia Sagrada a única regra infalível de fé e prática para a vida e o caráter cristão”[4]. Por sua vez a “Declaração de Fé” acrescenta que “a inspiração da Bíblia é especial e única, não existindo um livro mais inspirado e outro menos inspirado”[5] apresenta ainda as Escrituras como sendo “a inerrante, completa e infalível Palavra de Deus que não pode ser anulada”[6] (Jo 10.35). Deste modo toda a experiência pentecostal deve passar pelo crivo das Escrituras Sagradas. Adota-se, portanto, como fundamento que a “Bíblia deve ser a primeira e a última palavra para qualquer declaração de fé”[7].
Reflita nisto!
Douglas Roberto de Almeida Baptista
[1]FERREIRA, Paulo. A Reforma em quatro tempos. Rio de Janeiro: CPAD, 2017. p. 87.
[2]MCGRATH, Alister. A Revolução Protestante. Brasília: Editora Palavra, 2012. p. 74.
[3]ARMÍNIO, Jacó. As obras de Armínio. Rio de Janeiro: CPAD, 2015. Vol. 1. p. 87.
[4]CGADB. Declaração de Fé. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, p. 13.
[5]CGADB. Declaração de Fé. Cap. I. Sobre as Sagradas Escrituras. Rio: CPAD, 2017, p. 15.
[6]Ibid., Cap. I, p. 15.
[7]CÉSAR, Elben M. Lenz. Conversas com Lutero. Viçosa: Ultimato, 2006. p. 222.
