TELEXFREE PEDE NOVO BLOQUEIO DA INVESTIGAÇÃO CRIMINAL NO ACRE
A Telexfree entrou com um novo
habeas corpus para bloquear, pela segunda vez, um inquérito criminal do Acre
que tem como foco os responsáveis por captar grande número de associados para a
empresa – conhecidos como líderes ou team builders . A investigação já esteve suspensa por 23 dias
por uma liminar (decisão temporária) concedida pelo desembargador Francisco
Djalma , da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC). Em 1º de
agosto, o bloqueio foi derrubado pelos dois outros magistrados do órgão ,
Samoel Evangelista e Eva Evangelista. Em entrevista concedida no dia da
liberação, o promotor de Justiça Rodrigo Curti, do Ministério Público do Acre
(MP-AC), lamentou que a liminar causou "vários prejuízos à
investigação." 10% da população do Acre: A Telexfree conta com cerca de 1
milhão de divulgadores no País, que pagaram taxas de adesão com a promessa de
lucro obtido com a venda de pacotes VoIP, colocação de anúncios na internet e
arregimentação de mais pessoas para a rede. Em 18 de junho, uma decisão em
outro processo movido pelo MP-AC bloqueou as atividades da empresa, acusada de
ser possivelmente a maior pirâmide financeira da história do País. O argumento
do órgão é que o faturamento da Telexfree vem sobretudo das taxas de adesão, e
não da venda de pacotes VoIP. O inquérito criminal teve início em seguida , e
tem dado atenção ao papel dos grandes divulgadores, ou team builders , na
captação de pessoas para o negócio. Estima-se que haja 70 mil deles no Acre,
Estado cuja população é de 700 mil pessoas. Conforme o iG apurou, ao menos dez
divulgadores já foram ouvidos nessa investigação. Além de crime contra economia
popular – por formação de pirâmide –, são investigados os delitos de
estelionato, lavagem de dinheiro e propaganda enganosa. Procurados nesta
terça-feira (6), os representantes da Telexfree não comentaram o novo pedido de
habeas corpus até a publicação desta reportagem. Em outras ocasiões, eles
sempre negaram irregularidades no negócio . Boas chances: As chanches de a
Telexfree conseguir um novo bloqueio são boas. O novo pedido será analisado
pelo desembargador Francisco Djalma que, além da liminar, também se posicionou
contra o inquérito criminal no julgamento do dia 1º de agosto. Francisco Djalma aceitou a argumentação dos
advogados da Telexfree de que já havia um inquérito sobre atividades da empresa
em andamento em Vitória e, por isso, não caberia outra investigação. A
distribuição de um novo habeas corpus ao mesmo desembargador é o correto a se
fazer em casos como esse, segundo o Otávio Augusto Rossi Vieira, conselheiro da
Ordem dos Advogados do Brasil Seccional São Paulo (OAB-SP). Segundo Vieira, o
procedimento está previsto na maioria dos regimentos internos de tribunais. Fonte:
IG.

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