EXÉRCITO CRITICA PROJETO DE LEI QUE CRIMINALIZA HOMOFOBIA; ENTENDA
O
Exército brasileiro se posicionou contra a aprovação do projeto que propõe
definir em lei crimes de ódio e intolerância, com foco na homofobia, em parecer
enviado à Câmara dos Deputados. O documento afirma que a proposta, caso
aprovada, pode trazer ”efeitos indesejáveis” para as Forças Armadas e “reflexos
negativos” ao Exército. A nota técnica é assinada pela assessoria parlamentar
do gabinete do comandante do Exército, Enzo Peri, cuja saída foi anunciada pela
presidente Dilma Rousseff. “A instituição é contra qualquer tipo de agressão ou
violação a direitos humanos (…) no entanto, considerando as imprecisões
contidas na proposta apresentada, (…) pode trazer efeitos indesejáveis para a
Força”, diz o texto. Procurada, a assessoria do Exército disse que não se
manifestaria sobre o assunto. Um dos argumentos usados pelo órgão no texto é
que o projeto de lei está genérico, conduzindo a uma ”subjetividade” do
aplicador da lei. Pela proposta, constituirá crime de ódio quando a prática
incindir em ”impedimento de acesso de pessoas a cargo ou emprego público, ou
sua promoção funcional sem justificativa nos parâmetros legalmente
estabelecidos, constituindo discriminação”. Para o Exército, este trecho do
projeto teria ”reflexo nas Forças Armadas, inclusive no que tange aos critérios
estabelecidos para ingresso e permanência”. A nota não deixa claro quais seriam
os reflexos. “Verifica-se a existência de reflexos negativos para o Exército
brasileiro, por serem vislumbradas repercussões contundentes nas esferas
operacional, disciplinar, administrativa e do ensino’.’ Defensores do projeto
avaliam, reservadamente, que o temor do órgão é que o projeto incentivaria
homossexuais a se assumirem nos quarteis, uma vez protegidos legalmente de
eventuais punições por homofobia. O projeto, de maio de 2014, é de autoria da
deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) e está sob relatoria do deputado Luiz
Couto (PT-PB). O projeto de lei é a principal proposta que o governo apoiará
após arquivamento no Senado de um projeto que criminaliza a homofobia.

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