CÂMARA REJEITA PEC QUE REDUZ MAIORIDADE PENAL PARA CRIMES HEDIONDOS FOI REJEITADO O TEXTO DE AUTORIA DA COMISSÃO ESPECIAL SOBRE O TEMA. EM DATA A SER DEFINIDA, OS DEPUTADOS AINDA PODERÃO VOTAR O TEXTO ORIGINAL DA PROPOSTA, QUE REDUZ A MAIORIDADE PARA TODOS OS TIPOS DE CRIMES PLENÁRIO TEVE DEBATE ACIRRADO SOBRE A PEC. NA VOTAÇÃO, FORAM 303 VOTOS A FAVOR, QUANDO O MÍNIMO NECESSÁRIO ERAM 308
O Plenário da Câmara dos Deputados rejeitou,
na madrugada desta quarta-feira (1º), o texto da comissão especial para a PEC
que reduz a maioridade penal (PEC 171/93). Foram 303 votos a favor, quando o
mínimo necessário eram 308. Foram 184 votos contra e 3 abstenções. A discussão,
no entanto, ainda não se encerrou, avisou o presidente da Câmara, Eduardo
Cunha. Ele lembrou que o Plenário ainda tem de votar o texto original da
proposta ou outras emendas que tramitam em conjunto. “Eu sou obrigado a votar a
PEC original para concluir a votação ou o que os partidos apresentarem. No
curso da votação, poderão ser apresentadas várias emendas aglutinativas. A
votação ainda está muito longe de acabar, foi uma etapa dela”, disse Cunha. Ainda
não há data para a retomada da discussão. Eduardo Cunha disse que a proposta
poderá voltar à pauta na semana que vem ou, se isso não for possível, no
segundo semestre. Antes do recesso, o Plenário ainda precisa votar o segundo
turno da PEC da Reforma Política. A proposta rejeitada reduziria de 18 para 16
anos a maioridade penal para crimes hediondos, como estupro, latrocínio e
homicídio qualificado (quando há agravantes). O adolescente dessa faixa etária
também poderia ser condenado por crimes de lesão corporal grave ou lesão
corporal seguida de morte e roubo agravado (quando há uso de arma ou
participação de dois ou mais criminosos, entre outras circunstâncias). O texto
original, que pode ir à votação, reduz a maioridade para 16 em todos os casos. A
decisão apertada – faltaram 5 votos para aprovar a proposta – foi recebida com
gritos por deputados e manifestantes das galerias, que cantaram “Pula, sai do
chão, quem é contra a redução” e outras palavras de ordem. A sessão chegou a
ser suspensa pelo presidente da Câmara para que as galerias fossem esvaziadas. O
relator da proposta, deputado Laerte Bessa (PR-DF), lamentou o resultado.
“Infelizmente, nós perdemos. Eu fico triste, como parlamentar, e mais ainda
como cidadão”, disse o deputado. Bessa avaliou que as chances de vitória na PEC
original são reduzidas. “O acordo foi feito com base nesse substitutivo”,
explicou.

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