PAPA PEDE PERDÃO A DENOMINAÇÃO EVANGÉLICA POR SÉCULOS DE PERSEGUIÇÃO FRANCISCO VISITOU UMA IGREJA VALDENSE DURANTE VISITA A TURIM
A visita do Papa Francisco a Turim recebeu muito
destaque da mídia por suas declarações contra a indústria bélica. Afirmou que
as pessoas que fabricam ou fazem investimentos em empresas de armas não podem
se dizer cristãos. Também recebeu cobertura a visita que fez ao famoso “Santo
Sudário”. Contudo, nesses dois dias em que esteve na cidade que fica perto da
fronteira com a França, um fato passou quase despercebido, mas que tem grande
importância para os evangélicos. Na segunda (22), o Pontífice esteve num templo
Valdense. É a primeira vez que um papa visita oficialmente um templo dessa
denominação evangélica. Ele foi recebido por três pastores, e fez um pedido de
perdão. “Por parte da Igreja Católica, lhes peço perdão pelas atitudes e o
comportamento não cristão e até mesmo não humano que, ao longo da história,
tivemos contra vocês. Em nome do Senhor Jesus Cristo, perdoem-nos!”, clamou. Reforçou
ainda: “Podemos somente nos entristecer sobre a oposição e as violências
cometidas. Eu peço ao Senhor que nos dê a graça de nos reconhecer como
pecadores e que saibamos perdoar uns aos outros”, reiterou. Finalizou dizendo
acreditar que existe “uma profunda ligação entre as duas religiões, apesar das
diferenças”. Durante a visita de Francisco, ele tirou fotos ao lado dos
pastores e beijou um exemplar da Bíblia em Italiano. O pastor da comunidade
valdense em Turim, Eugenio Bernardini, questionou diante da imprensa: “Qual era
o pecado dos valdenses Eles eram um movimento de evangelização popular,
realizado por leigos?”. Depois,
agradeceu a iniciativa, afirmando que o pontífice “aceitou ultrapassar uma
barreira histórica de oito séculos” entre os dois grupos cristãos.
Ressaltou ainda que a aproximação entre
católicos e valdenses modernos, era fruto da exortação papal Evangelii Gaudium
(Alegria do Evangelho em português), na qual Francisco exortou os cristãos a
viver juntos em “diversidade reconciliada”. Os Valdenses: Essa pequena
denominação evangélica foi perseguida pela Igreja Católica Romana durante
séculos na França e na Itália. A origem da Igreja Valdense, por volta de 1170,
tem relação com os movimentos de renovação espiritual dentro da Igreja Católica
Romana, no que mais tarde tornou-se parte da Reforma Protestante. O comerciante
francês Pedro Valdo (que vivia na Itália) teve acesso a uma Bíblia em linguagem
popular e através dela iniciou um movimento que negava o papado de Roma. Até
então a Bíblia era de difícil acesso e as cópias disponíveis estavam em Latim. Inicialmente
o grupo que passou a defender as ideias de Valdo eram denominados os Pobres de
Espírito. Contudo, após a morte do seu líder passaram a ser chamados de
valdenses, semelhantemente ao que ocorria com Lutero e a igreja dos luteranos
séculos mais tarde. Trabalhando para distribuir exemplares da Bíblia traduzidas
para a língua do povo, Valdo e seus seguidores iniciaram pequenos grupos,
principalmente na região da fronteira entre França e Itália. Como era comum na
Idade Média, além de perseguidos pela Igreja Católica, foram declarados hereges
e finalmente excomungados em 1184. Vários papas tentaram exterminar os
valdenses. Mesmo assim o grupo cresceu e se espalhou. Comandados pelo duque de
Sabóia, em 1655, forças leais ao Vaticano conduziram uma campanha que envolvia
tortura, estupro e assassinato contra eles. A Igreja Valdense hoje conta cerca
de 50 mil fiéis no mundo inteiro, com presença no norte da Itália, também na
Alemanha, na França, nos Estados Unidos e até no Uruguai.

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