MINHA EXPERIÊNCIA COM LÍNGUAS - A HISTÓRIA DO AVIVAMENTO AZUZA - FRANK BARTLEMAN
No dia 16 de agosto à tarde, o Espírito se manifestou através de mim em línguas. Estávamos em sete naquela ocasião. Era um dia de semana; depois de alguns testemunhos e louvor, tudo ficou quieto, e eu andava silenciosamente de um lado para o outro louvando ao Senhor no meu espírito. De repente, pensei ouvir na minha alma (não com meus ouvidos naturais), uma voz forte falando numa língua que eu não conhecia. Mais tarde, ouvi sobre uma experiência semelhante na Índia. Parecia arrebatar-me e totalmente satisfazer toda a tendência ao louvor que estava presa dentro de mim. Em poucos instantes encontrei-me, como algo que independesse da minha vontade própria, enunciando com minhas cordas vocais os mesmos sons que antes ouvira dentro de mim. Era a continuação exata do que eu ouvira em minha alma há alguns minutos. Parecia uma língua perfeita e senti-me como espectador. Entreguei-me inteiramente à Deus e fui com simplicidade carregado por sua vontade, como por um riacho divino. Eu poderia ter me calado se quisesse, mas não o faria por nada deste mundo. Uma sensação de consciência celestial se seguiu. É impossível descrever a experiência com precisão. Deve ser experimentada para ser apreciada. Não houve esforço da minha parte para falar, e nem a menor luta contra este fluir espontâneo. A experiência era sagrada; o Espírito Santo tocava nas minhas cordas vocais como uma harpa eólica.
Tudo o que foi dito foi completa surpresa para mim, pois
nunca me esforçara para falar em línguas. Pelo contrário,
porque eu não podia compreendê-las com minha mente
natural, tinha até medo da experiência.
Não tive nenhum desejo naquela época de entender o
que eu dizia. Parecia uma expressão pura da alma, fora dos
limites da mente natural ou da compreensão humana.
Parecia que estava sendo selado na minha fronte e que
cessavam todas as obras da minha mente humana.
Publiquei sobre minha experiência o seguinte: "O Espírito
havia me preparado gradualmente para este ponto'
culminante da minha experiência através de rações feitas
por mim mesmo e por outros. Aproximei-me portanto de
Deus, com um espírito muito submisso, pois eu havia
chegado a um ponto de total abandono de minha vontade
própria, e de plena consciência de minha incapacidade.
Fora um processo cumulativo de purificação de toda atividade
do homem natural. A presença no meu interior do Espírito
tinha sido tão sensível como a água no medidor de uma
turbina a vapor. Minha mente, a última fortaleza do homem
a ceder a Deus, fora possuída pelo Espírito. As águas que
haviam vagarosamente se acumulado passaram por sobre
minha cabeça. Fiquei inteiramente mergulhado nEle. Os
sons em línguas eram completamente destituídos de toque
humano, "segundo o Espírito me concedia que falasse" (Atos
2:4)."
Oh! Que sensação maravilhosa de estar totalmente
dominado por Deus! Minha mente sempre fora muito ativa.
Sua atividade carnal causava todos os problemas de
minha experiência cristã. "Levando cativo todo
pensamento..." (II Coríntios 10:5). Nada impede tanto a fé e a
operação do Espírito como a auto-suficiência da mente
humana. Isto precisa ser crucificado e aí começa a luta.
Precisamos ficar totalmente desfeitos, insuficientes,
incapazes em nossa própria consciência, totalmente
humilhados, antes de podermos ser possuídos pelo
Espírito Santo. Queremos possuir o Espírito Santo, mas a
verdade é que Ele nos quer possuir primeiro. Com a
experiência de falar em línguas, cheguei a entrega total. Foi
aberto então em mim canal para novo ministério de
serviço no Espírito. A partir daí, o Espírito passou a fluir
através de mim de uma nova maneira. Mensagens vinham
com uma unção que eu nunca tivera antes, com
inspiração e iluminação espontâneas, e com verdadeiro poder
de convicção. Era realmente maravilhoso. O batismo
Pentecostal significa entrega total, a posse de todo ser pelo
Espírito Santo, e uma disposição de obedecer
prontamente. Eu conhecia a muitos anos o poder de Deus
para o ministério, mas agora notava em mim uma
sensibilidade nova com relação ao Espírito e uma entrega
maior. O resultado era que Deus me podia possuir e
trabalhar de maneira nova através de novos canais com
resultados muito mais diretos e poderosos. Recebi novas
revelações de sua soberania, tanto em propósito como em
ação, como nunca conhecera antes. Descobri que muitas
vezes acusei Deus de falta de interesse ou de ter demorado a
agir, quando eu deveria ter me entregue a Ele pela fé; para
que Ele pudesse fazer operar através de mim a Sua poderosa
e soberana vontade.
Humilhei-me a Seus pés com esta revelação de minha
própria ignorância, e de Seu cuidado e desejo soberanos.
Verifiquei que meu pouco desej0 de servi-lo era apenas o
que Ele conseguira transmitir a mim de Sua grande vontade,
interesse e propósito. Sua palavra declara isso. Tudo o que
havia de bom em mim, em pensamentos ou ações, vinha
dEle. Como Hudson Taylor, eu agora sentia que Ele
simplesmente me pedia para acompanhá-lo e ajudar naquilo
que só Ele tem proposto e desejado. Sentia-me muito
pequeno diante desta revelação e da minha maneira errada
de compreendê-lo anteriormente. Ele existia e cumpria
Seus propósitos esternos muito antes que alguém soubesse
da minha existência, e continuaria muito depois que eu
tivesse ido embora.
Não havia distorções ou contorções. Não fiz nenhum
esforço para tentar receber o batismo. Comigo foi só uma
questão de ceder. Na realidade, foi o oposto da luta.
Minha garganta não inchou, não foi preciso fazer nenhum
esforço no meu aparelho vocal. Não tive a menor dificuldade
para falar em línguas. No entanto, posso compreender que
alguns tenham dificuldades. Não se submeteram
completamente a Deus. Comigo a luta tinha sido prolongada
por muito tempo. Eu já estava exausto e completamente
submisso. Deus não lida com dois indivíduos da mesma
forma. Eu nem estava buscando o batismo quando o recebi.
Aliás nunca o buscara como experiência definitiva. Eu
queria me submeter inteiramente a Deus.
Eu só queria uma coisa: receber mais dele.
Não havia ninguém gritando ao meu redor para me
confundir ou me excitar.
Ninguém me sugeria "línguas" naquela hora por
argumentação ou imitação. Graças a Deus que Ele é capaz de
realizar sua obra sem esse tipo de auxílio, e aliás de maneira
muito melhor. Eu não acredito que seja necessário usar
"fórceps" para dar à luz espiritualmente. Creio em orações
equilibradas e sinceras para ajudar no Espírito. Contudo,
muitas almas são tiradas a força do ventre da convicção, e
têm que ficar na incubadora para sempre. Como ocorre na
natureza, assim também é na vida espiritual. É melhor
dispensar o máximo possível os médicos e as velhas
parteiras. A criança, às vezes, quase morre por causa da
violência desnatural da interferência humana. Um bando de
chacais lutando por um apresa talvez não fosse mais feroz do
que aquilo que vimos em certas ocasiões. Num parto
normal, o melhor é deixar a mãe em paz enquanto for
possível. Podemos ficar ao lado encorajando, mas não
forçando o trabalho do parto. Os partos naturais são os
melhores.
Antes disto, Deus me limitou principalmente ao
ministério e intercessão e profecia, até que eu chegasse a este
estado de total entrega ao Espírito. Agora chegou a hora de
sair novamente num ministério ativo. Meu dia de Pentecostes
se cumprira, o canal foi desentupido e as águas vivas
jorraram. As portas ao meu ministério abriram-se de par em
par com apenas um toque da mão soberana de Deus. O
Espírito começou a operar em mim de forma poderosa e
nova.
Era diferente, um novo clímax, uma experiência inédita para mim.
Era para isto que Deus havia separado todo o grupo que estava conosco. No mundo inteiro os escolhidos de Deus estavam sendo preparados. Os resultados disso já fazem parte da história. Na realidade isso se tornou um marco na história da igreja tão definido e diferente como a ação do espírito Santo no tempo de Lutero e Wesley, e com muito maior portento. E ainda não vimos a história completa.
Pouco tempo tivemos até agora para entender ou apreciar estes acontecimentos.
Galgamos mais um passo para a restauração da igreja primitiva. Estamos completando o círculo. Jesus voltará para uma igreja perfeita, "sem mácula, nem ruga". Ele está voltando para "um corpo", não para uma dúzia de corpos. Ele é o cabeça, e como tal não é uma monstruosidade com mais de cem corpos. "A fim de que todos seja um... para que o mundo creia" Afinal de contas esse é o maior sinal para o mundo. "Ainda que falemos as línguas dos homens e dos anjos, se não tivermos amor, nada seremos" (I Coríntios 13). Eu senti que depois da
experiência de falar em línguas, outras línguas viriam com facilidade. E tem sido assim. Também aprendi a cantar no Espírito, embora eu não seja cantor e não conheça música.

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