PASTOR MONTA BARRAQUINHA DE “AJUDA ESPIRITUAL” EM FRENTE À IGREJA INSPIRADO EM HQ, LÍDER LUTERANO OFERECE ORAÇÕES E UM OMBRO AMIGO
O pastor Gregory Fryer não espera que as pessoas simplesmente entrem em
sua igreja, por isso “arriscou”. O nova-iorquino é fã das histórias em
quadrinhos de Snoopy e Charlie Brown, por isso decidiu montar uma barraquinha
amarela, idêntica à da personagem Lucy. Mas ao invés de oferecer “Ajuda
psiquiátrica” a 5 centavos, ele oferece “ajuda espiritual”. Os moradores da
região onde fica a igreja Luterana Emanuel, o Upper East Side, podem
encontrá-lo todas as terças pela manhã na calçada em frente ao templo. A placa,
também imitando o escritório improvisado de Lucy, diz: “o pastor está
disponível”. São 7:30 da manhã na esquina da Lexington Avenue e a 88th Street.
Centenas de pessoas passam apressadas. Alguns olham curiosos, mas eventualmente
um curioso para, senta no banquinho e começa a conversar com o pastor. Como ele
mesmo diz, são “corações famintos”, que precisam de alguém para ouvi-los. Em
entrevista ao Metro, Fryer, 65 anos, explica que fica por ali até perto das 10
da manhã. “A noção de um pastor estar disponível na rua, com um banquinho para
que alguém que deseje possa sentar-se, me parece a coisa certa a fazer”. Ele
explica que vários tipos de ‘pacientes’ o procuram. O espaço é democrático,
refletindo a atmosfera da rua. São cristãos, judeus, algumas pessoas que há anos
não vão à igreja. O pastor ouve todo tipo de pedido. Desde um jovem que pediu
orações para afastar um resfriado até outro que seguia para uma entrevista de
emprego queria um pouco de ânimo. Certa vez, conta ele, uma executiva muito bem
vestida sentou-se e começou a chorar. “Estou preocupada com a minha avó, você
poderia orar por ela?”, pediu. Fryer concorda com todos os pedidos. Aos que têm
tempo, conta histórias da Bíblia que ele acredita que podem ajudar as pessoas
naquele momento. Por vezes, tudo que elas querem é um ombro amigo. Ele já teve
surpresas, como uma criança de 4 anos que sentou no meu banco e disse: “Eu amo
a Deus, eu amo o papai e eu amo a mamãe”. Depois, pediu para fazer uma oração
pelo pastor. “Eu fiquei realmente tocado com isso”, explica Fryer. O sinal no alto da barraquinha ostenta o
preço de “5 centavos”, mas era só para imitar a original. O pote para as moedas
está ali, como Lucy planejava. O religioso não cobra nada, mas diversas vezes
as pessoas deixam dinheiro ali. Ele leva para o templo e deposita no
gazofilácio. Se alguém decide entrar para orar, ou ter um tempo de reflexão, o
prédio construído em 1863 está de portas abertas. Para o experiente pastor,
montar a barraquinha foi uma forma de chamar a atenção para a igreja, que pode parecer
um pouco imponente. Quem aceita o convite para voltar, verá que a atmosfera dos
cultos é mais informal, uma vez que a proposta do líder é ser uma igreja
acolhedora. O projeto de “ajuda espiritual” acabou virando quase uma atração
turística no local. O sacerdote conta que muita gente para e pede para tirar
fotos. Alguns dizem que vão mostrar para seus próprios pastores e rabinos,
desejando inspirá-los a iniciar um projeto semelhante. Fryer celebra: “Eu
adoraria ver a cidade cheia de barraquinhas como esta.”

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