JOÃO CALVINO E O ÉDITO DE COUCY
Em 16 de julho de 1535, o rei Francisco I de França (Francisco I (Cognac, 12 de setembro de 1494 – Rambouillet, 31 de março de 1547), também conhecido como "Rei-Cavaleiro", "Pai e Restaurador das Cartas" e "o de Nariz Comprido", foi o Rei da França de 1515 até sua morte. Era filho de Carlos d'Orléans, Conde de Angoulême, e Luísa de Saboia. Ele sucedeu seu primo e sogro Luís XII, que morreu sem deixar herdeiros.
Filho único de Carlos I de Valois, morto em Châteauneuf-en-Angoumois e sepultado na catedral de Angoulême, Francisco pertencia à Casa de Valois, dinastia que levou ao trono. Era Conde de Angoulême, de Beaumont, do Luxemburgo, Conde de Soissons, Barão de Coucy, conde do Perigord, Governador da Aquitânia ou Guyenne. Francisco tornou-se conde de Angoulême em 1496, depois Duque de Valois, duque de Milão, senhor de Asti, Duque da Bretanha (por direito da mulher, a princesa Cláudia). Herdou o trono não como genro, pois a Lei Sálica não permitia sucessão feminina, mas como primo de Luís XII, que não tivera herdeiros varões. Não foi Delfim, mas foi Rei.
Francisco I foi um grande mecenas e ajudou a difundir o Renascimento na França. Convidou a vir à França os grandes artistas da Itália, como Leonardo da Vinci, Rosso, Primaticcio, Benvenuto Cellini, Andrea del Sarto. Deu início ao atual palácio do Louvre, construiu ou redecorou os castelos de Fontainebleau e Chambord, foi o patrono dos poetas Clement Marot e Jean du Bellay. Seu mais importante serviço ao humanismo foi ter fundado o Colégio de França, que inicialmente se destinava ao ensino das línguas hebraica, grega, latina. Fundou a Imprensa Real. Entretanto, embora permitisse o desenvolvimento, nos círculos intelectuais, de certas ideias protestantes, ao mesmo tempo em que se propagava o humanismo, depois de 1534 foi hostil à propagação do protestantismo entre o povo, como se nota por sua perseguição em 1545 dos «Vaudois» de Chabrières e Mérindol.
Deixou poemas interessantes que os críticos consideram medíocres. Seu túmulo e o de sua esposa, a rainha Cláudia (que deixou batizada uma espécie de ameixa verde que muito apreciava), em St. Denis, foram desenhados por Philibert Delorme e realizados por Pierre Bontemps)fez publicar o Édito de Coucy, uma medida de contemporização para com os protestantes e que corresponde também a uma nova guerra de Francisco I contra o imperador Carlos V (Guerra de 1535-1538).
Francisco I precisava do apoio dos protestantes alemães para o esforço de guerra e não convinha, necessariamente, perseguir os luteranos na França. Foi prometido que se deixariam os protestantes em paz desde que vivessem como "bons cristãos" e renunciassem à sua fé. Mas, em dezembro de 1538, o Édito de Coucy foi suspenso e as perseguições aos protestantes retomaram a intensidade anterior.

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